A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, pediu nesta terça-feira (14/04) que as eleições sejam realizadas “o mais rápido possível” na Venezuela, em entrevista à agência AFP em Paris, um dia depois de o ministro do Interior, Diosdado Cabello, ter rejeitado o pedido.
A oposição exige que a presidente interina, Delcy Rodríguez, convoque eleições presidenciais para preencher a vaga deixada pela captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro. Um protesto organizado por sindicatos está previsto para quinta-feira em apoio à reivindicação.
“A Constituição venezuelana é muito clara e, de fato, estabelece que, em caso de ausência absoluta — e ninguém pode duvidar que há ausência absoluta do senhor Nicolás Maduro — as eleições devem ser convocadas nos próximos 30 dias“, disse Machado, acrescentando que essas eleições devem ser realizadas “o mais rápido possível”.
No entanto, ela esclareceu que convocar eleições não significa realizá-las imediatamente.
Primeiramente, defendeu a nomeação de um novo Conselho Nacional Eleitoral, composto por pessoas sem “vínculos políticos”, e a atualização do cadastro eleitoral, visto que “40% dos venezuelanos com direito a voto não estão registrados”, incluindo aqueles que deixaram o país.
“Tudo isso leva tempo, e estimamos que a sequência de todas essas ações levará cerca de nove meses, a partir do momento em que um novo Conselho Nacional Eleitoral for nomeado”, declarou Machado em videoconferência com a AFP em Paris, onde se reuniu no dia anterior com o presidente Emmanuel Macron.
Machado deixou a Venezuela em dezembro para receber o Nobel da Paz em Oslo com a promessa de retornar, e embora tenha assegurado que o fará “em breve”, recusou-se a confirmar uma data exata.
Ela especificou que ainda tem “objetivos a alcançar” com os encontros com a diáspora, “potenciais investidores” e líderes políticos.
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Delcy Rodríguez governa sob intensa pressão do presidente americano, Donald Trump, que se declarou responsável pela Venezuela e pela venda de seu petróleo. Ela promove uma agenda de reformas legislativas para abrir o país, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, ao investimento estrangeiro.
Na segunda-feira, a presidente interina, que promoveu uma reforma da lei de hidrocarbonetos no final de janeiro, celebrou os avanços no setor petrolífero em relação ao investimento estrangeiro, durante a assinatura de acordos com a gigante americana Chevron para aumentar a produção de petróleo.
“A Venezuela produz atualmente quase um milhão de barris de petróleo por dia, mas poderia produzir 5 ou 6 milhões” diariamente, afirmou Machado, que acredita que, para atingir esse nível de produção, são necessários “um processo eleitoral que produza autoridades legítimas” e “um marco legal confiável” para investimentos.
Por AFP




