Empresas de R$ 500 foram criadas para operar esquema de propina com ex-presidente do BRB, diz PF

Investigação aponta que Paulo Henrique Costa recebeu 6 imóveis de luxo de Daniel Vorcaro

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Rafael Lavenère/BRB
Foto: Rafael Lavenère/BRB

A Polícia Federal identificou o uso de empresas constituídas com capital social de apenas R$ 500 em um suposto esquema para oferecer imóveis de luxo ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Esse tipo de companhia é conhecida como “empresa de prateleira”. Esse tipo de empreendimento costuma ter um representante legal e CNPJ regular, mas normalmente nunca foi utilizada.

A investigação da Polícia Federal apura fraudes financeiras relacionadas ao negócio entre a instituição de Brasília e o Banco Master. Costa foi preso nesta quinta-feira (16) durante a nova etapa da operação Compliance Zero. As seis propriedades investigadas somam aproximadamente R$ 146,5 milhões em valor de mercado.

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Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, os imóveis estavam formalmente vinculados a pessoas jurídicas distintas. A PF aponta que essas companhias foram utilizadas para ocultar a titularidade real dos bens. Todas as empresas compartilham o mesmo endereço de registro na Avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, segundo apuração do jornal O Globo.

Consultas aos cadastros da Junta Comercial de São Paulo revelaram que as companhias estão registradas em nome de Hamilton Edward Suaki, cunhado do advogado do Banco Master, Daniel Lopes Monteiro. A investigação aponta Monteiro como operador jurídico-financeiro do esquema. O advogado também foi preso na operação.

Registros da Receita Federal mostram que as empresas foram abertas entre julho e outubro de 2024. Todas possuem o mesmo diretor formal. Ao menos parte das companhias utiliza os mesmos números de telefone nos cadastros oficiais.

Os investigadores apontam que essa estrutura foi montada especificamente para ocultar a titularidade real dos bens e dificultar o rastreamento patrimonial. Dados da junta comercial mostram que o capital social das empresas, inicialmente de R$ 500 cada uma, foi posteriormente ampliado para milhões de reais. Os valores se tornaram compatíveis com a aquisição dos imóveis de luxo.

Por telefone, a recepção do edifício comercial onde estão registradas as companhias informou ao jornal O Globo que nenhuma das empresas funciona ou já funcionou no prédio. A operação Compliance Zero apura suspeitas de fraude financeira relacionadas ao negócio entre o BRB e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou considerar a prisão do ex-dirigente do banco como “absolutamente desnecessária”. Hamilton Edward Suaki, procurado pela reportagem, não se manifestou. O advogado de Daniel Lopes Monteiro não respondeu aos contatos da reportagem.

Em nota, o governo do Distrito Federal, acionista do BRB, declarou que tem “compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”.

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