O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa neste sábado (18/04), em Barcelona, da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, encontro que reúne líderes progressistas para discutir defesa das instituições democráticas e desafios globais. O evento ocorre em um momento de aumento das tensões internacionais e reforça a articulação de esquerda diante do avanço de movimentos por ela considerados autoritários.
Criado em 2024 por iniciativa de Lula e do premiê espanhol Pedro Sánchez — que marcarão presença no evento de hoje —, o fórum busca fortalecer a cooperação internacional em torno da democracia. A participação do presidente brasileiro ocorre logo após a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, na qual foram assinados acordos em áreas como igualdade de gênero e economia, além de encontros com empresários e autoridades locais.
O posicionamento de Lula no encontro também ocorre em meio a um distanciamento político em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevistas recentes, o brasileiro criticou a postura do norte-americano em temas como conflitos internacionais e ameaças a outros países, defendendo diálogo, respeito à soberania e fortalecimento das instituições multilaterais.
“Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, declarou o petista ao defender maior responsabilidade dos chefes de Estado com a paz e a estabilidade internacional. Apesar disso, afirmou que o fórum não tem caráter “anti-Trump”, mas sim o objetivo de debater soluções para o fortalecimento democrático.
Vale lembrar que a proximidade entre Lula e Sánchez não é bem-vista pela Casa Branca. Houve atritos recentes entre Sánchez e Trump, especialmente em temas de política externa e defesa. O premiê espanhol criticou a postura militar dos Estados Unidos em relação ao Irã, classificando a estratégia como um “erro extraordinário”, e chegou a rejeitar o uso de bases espanholas em ações militares.
As declarações provocaram reações do governo norte-americano e contribuíram para um cenário de tensões diplomáticas e comerciais, além de divergências sobre compromissos na Otan.
O contraste entre agendas internacionais se acentua ao considerar que, no mês passado, Trump reuniu líderes latino-americanos alinhados à direita em um encontro na Flórida, do qual o Brasil não participou. O episódio evidenciou a divisão de blocos políticos na região, com o governo brasileiro reforçando sua aproximação com lideranças progressistas em fóruns multilaterais.
Após a agenda na Espanha, Lula segue viagem para a Alemanha no domingo (19/04), onde participa da abertura da Feira Industrial de Hannover e de encontros com autoridades e empresários, incluindo reunião com o chanceler Friedrich Merz.
Na sequência, o presidente embarca para Portugal, onde terá reuniões bilaterais voltadas ao aprofundamento das relações diplomáticas e econômicas. A agenda do petista prevê uma reunião com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro.
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