O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne nesta quarta-feira (03/06) os ministros no Palácio do Planalto para a segunda reunião ministerial de 2026. O encontro acontece em um momento de tensão diplomática com os Estados Unidos e deve servir para alinhar a posição do governo sobre temas que passaram a dominar o debate político nas últimas semanas.
A reunião marca o primeiro encontro coletivo de Lula com a equipe ministerial após a reforma promovida na Esplanada dos Ministérios, realizada em abril devido ao prazo de desincompatibilização para as eleições deste ano. A mudança levou à substituição de titulares em diversas pastas.
Entre os principais assuntos que devem ser discutidos está a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida foi sugerida após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
O relatório menciona temas como o sistema de pagamentos Pix, questões ligadas ao combate à pirataria, ao desmatamento ilegal e à aplicação de normas anticorrupção. Apesar da proposta, a nova tarifa ainda não entrou em vigor e depende da conclusão de procedimentos previstos pela legislação norte-americana.
O governo brasileiro reagiu às conclusões da investigação e classificou a iniciativa como uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Na terça-feira (02/06), Lula voltou a cobrar diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o tema, embora tenha evidenciado descontentamento com a possível sanção.
“Então, Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso [as possíveis tarifas] não foi você nem eu. Estou esperando um telefonema para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência. Nós dois combinamos 30 dias para uma resposta.”
Outro assunto que deve ocupar espaço na reunião é a decisão do Departamento de Estado americano de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A medida gerou preocupação dentro do governo brasileiro, que avalia os possíveis impactos diplomáticos, jurídicos e financeiros da decisão. Lula já afirmou que o combate ao crime organizado será conduzido pelas instituições brasileiras e rejeitou qualquer tipo de intervenção externa.
Além dos temas relacionados à relação entre Brasil e Estados Unidos, o encontro ocorre em meio ao avanço de pautas que ganharam destaque no cenário político nacional. Entre elas está a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e atualmente em tramitação no Senado.
Também permanece no radar do governo a questão da vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula já declarou publicamente que pretende reenviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, após a rejeição de seu nome pela Casa em abril.
A expectativa é que a reunião seja utilizada para uniformizar a comunicação do governo e alinhar estratégias para o período pré-eleitoral, evitando divergências entre ministérios sobre temas considerados sensíveis. O encontro também será o último grande compromisso coletivo da equipe ministerial antes do início oficial da campanha eleitoral de 2026.
Leia mais: “O Pix assusta eles”, afirma Lula após ofensiva comercial dos EUA




