Um fenômeno observado em diversos países, incluindo o Brasil, revela um movimento crescente de aversão à tecnologia por parte da geração Z, especialmente, em relação à inteligência artificial. Embora o uso dessas ferramentas seja considerado praticamente obrigatório no ambiente profissional, jovens entre 18 e 24 anos demonstram crescente ceticismo quanto aos seus benefícios reais.
O tema ganhou repercussão recente após um episódio envolvendo um jovem que tentou invadir a residência de Sam Altman, executivo à frente da OpenAI, responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT. Segundo o relato, o objetivo seria incendiar o local e, posteriormente, repetir a ação contra a sede da empresa. O caso evidencia como figuras centrais da tecnologia passam a simbolizar tensões mais amplas, fenômeno semelhante ao que ocorreu no passado com Bill Gates, associado à expansão do software no final do século XX.
De acordo com estudos recentes, há uma queda contínua na percepção de que a inteligência artificial contribui de forma significativa para o desenvolvimento dos jovens. Ainda assim, a geração Z reconhece a necessidade de utilizá-la no mercado de trabalho. Essa relação ambígua indica que, embora a tecnologia seja vista como ferramenta de produtividade, não é percebida como um fator de empoderamento ou estímulo à criatividade.
A origem dessa resistência parece estar ligada aos impactos práticos da IA no mercado de trabalho. Ferramentas automatizadas vêm absorvendo tarefas tradicionalmente associadas a cargos de entrada, como produção de apresentações, revisão de documentos e atividades operacionais de escritório. O fenômeno também atinge áreas como desenvolvimento de software e edição de imagem, reduzindo espaços para profissionais em início de carreira.
Esse cenário levanta um impasse estrutural: se a tecnologia demanda perfis cada vez mais seniores, como novos profissionais poderão adquirir experiência sem passar pelas etapas iniciais? A dificuldade de inserção no mercado ajuda a explicar por que gerações anteriores, como millennials e geração X, demonstram maior entusiasmo com a inteligência artificial, já que se encontram, em grande parte, estabelecidas profissionalmente e aptas a capturar seus benefícios.
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Entre os jovens da geração Z, por outro lado, cresce a percepção de um mercado mais seletivo, competitivo e restritivo, no qual a tecnologia surge não apenas como aliada, mas também como fator que amplia barreiras de entrada.