Sombr não se contentou em surpreender o primeiro fim de semana do Coachella ao levar Billy Corgan para performar o clássico “1979”. No encerramento do festival, o cantor e produtor de 20 anos, emergido do TikTok, mostrou seu repertório e afinidade com o rock clássico ao cantar ao lado da lenda Billy Idol. O dueto e sua apresentação de Eyes Without a Face é imperdível.
Foram incontáveis os clipes que assisti nas duas últimas semanas: desde a colaboração de Teddy Swims com Vanessa Carlton, passando pelo hino de Disclosure You & Me, até as novas apresentações visuais surreais de Anyma e Adriatique. E não posso deixar de mencionar também The XX, Moby, Foster The People e os Strokes.
Os clipes e sua integração com as redes sociais representam apenas uma fração do ecossistema criado pela transmissão do Coachella via YouTube. A plataforma transformou o festival em um fenômeno de televisão ao vivo.
Essas percepções são de Donna Budica e George Karalexis, cofundadores da Ten2Media, uma empresa especializada em ajudar artistas musicais a explorar modelos de negócios típicos de criadores de conteúdo.
Em uma conversa com Mike Shields, eles discutiram como o YouTube elevou o Coachella a um evento de massa, colocando o mercado diante de uma provocação importante: qual é o papel dos festivais ao vivo no impulso da expansão da CTV do Google?
O Coachella é um exemplo raro de como um serviço de streaming/tecnologia pode transformar um evento ao vivo em sua principal atração, sem precisar adquirir os direitos de transmissão da mídia tradicional.
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Eles defendem que, ao tratar o Coachella como uma plataforma permanente de conteúdo, e não apenas como uma transmissão única, o YouTube evitou o ciclo tradicional de inflação de direitos, mantendo o controle total sobre a distribuição e a experiência do usuário.
A discussão proposta amplifica o artigo do Wall Street Journal sobre como a rápida migração do público para a plataforma não foi acompanhada por um aumento proporcional nos investimentos de grandes marcas.
O argumento é que anunciantes frequentemente tratam o YouTube como parte do orçamento de marketing digital, em concorrência direta com TikTok e Instagram, não como TV (Sim, novamente esse assunto!)
Michael Wolf, CEO da Activate Consulting, conhecida por seu relatório anual sobre o estado da mídia e do entretenimento, lembra que “o que o YouTube não tem é o que a televisão aberta ostenta: grandes eventos que exigem visualização simultânea.” E é aí que o Coachella entra como resposta.
O executivo coloca o festival de música no deserto no mesmo patamar do Super Bowl, Oscar e Grammy como “grandes eventos assistidos ao mesmo tempo, com públicos enormes”.
“Atualmente, cerca de 200 milhões de pessoas assistem ao Coachella simultaneamente. Provavelmente, em alguns anos, esse número chegará a 500 milhões.”
Como contraponto, Shields, que acompanha de perto o mercado de CTV, lembra que há um argumento consistente para a subvalorização do Coachella: os CPMs do YouTube seguem baixos.
Recentemente, Jamie Branson mostrou que vídeos longos padrão recebem entre US$ 2 e US$ 25 por 1.000 visualizações, com games e entretenimento na faixa inferior. Nos bastidores, Shields ouviu de compradores o que confirma a conta: o festival ainda não está pronto para gerar lucro imediato.
No fim, os analistas concordam que é discutível se o Coachella tem preços competitivos com grandes eventos televisivos. Porém alertam: o mercado muitas vezes interpreta mal a estrutura do YouTube. A narrativa do “CPM barato” confunde erroneamente o mercado aberto com o YouTube Select.
O verdadeiro teste ao qual o YouTube se submeteu foi de produto e sua capacidade de transformar eventos ao vivo em experiências recorrentes e escaláveis dentro da CTV.