Arthur Igreja
Arthur Igreja Mais sobre o autor

Arthur Igreja é especialista em Tecnologia e Inovação. TEDx speaker e autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio”. Certificações executivas em Harvard e Cambridge. Atuação profissional em mais de 25 países. Anualmente, ministra mais de 150 palestras no Brasil, América do Sul, EUA e Europa. Ele é Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV. Pós-MBA e MBA pela FGV.

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Sem diretrizes claras, ensino superior improvisa regras para uso de inteligência artificial

Enquanto MEC e Conselho Nacional de Educação discutem o tema, universidades criam normas próprias e enfrentam desafios éticos, técnicos e de capacitação docente

Por Arthur Igreja | Atualizado em
mão humana e mão robótica
(Foto: Freepik)

O uso da inteligência artificial nas instituições de ensino superior avança enquanto o Conselho Nacional de Educação e o Ministério da Educação ainda discutem diretrizes formais sobre o tema. A tendência que começa a se desenhar aponta caminhos distintos entre educação básica e ensino superior.

No caso das escolas, a tendência é que crianças e adolescentes passem a aprender mais sobre os fundamentos da inteligência artificial, incluindo como identificar conteúdos falsos, como questionar respostas geradas por sistemas e como lidar com aspectos éticos e morais da tecnologia. Já no ensino superior, a IA deve assumir um papel mais voltado à formação profissional.

Enquanto essas definições não são formalizadas, a prática avança. Como a tecnologia não espera a burocracia, universidades e faculdades têm estabelecido suas próprias cartilhas. De modo geral, surgem regras que exigem que alunos informem em trabalhos acadêmicos quais ferramentas de IA foram utilizadas, quais prompts foram empregados para obter resultados e quais partes do trabalho contaram com apoio direto da tecnologia.

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Apesar dessas tentativas de controle, ferramentas que prometem identificar o uso de inteligência artificial ainda apresentam limitações relevantes. Há problemas recorrentes de falsos positivos. Um exemplo ilustrativo é o caso em que o texto da Constituição americana foi submetido a um desses sistemas e apontado como tendo uso de IA, algo evidentemente incorreto, inclusive pelo contexto histórico.

Diante desse cenário, dois pontos centrais emergem. O primeiro é que, apesar da existência dessas normas, sua efetividade depende essencialmente da ética de alunos e professores. Na prática, funcionam mais como uma carta de boas intenções, com poucos mecanismos concretos de mensuração e acompanhamento.

O segundo ponto é a capacitação docente. Enquanto alunos já utilizam essas ferramentas em larga escala desde a chegada do ChatGPT, em 2022, muitos professores ainda precisam se adaptar por conta própria, sem necessariamente contar com suporte estruturado ou investimentos adequados.

Há ainda um aspecto mais amplo, o a percepção de que a adoção da inteligência artificial é inevitável, como ocorreu anteriormente com a internet e, depois, com os smartphones. No entanto, a IA traz um elemento adicional de complexidade ao possibilitar a automação de processos cognitivos, ou seja, o próprio ato de pensar.

Se antes a internet automatizava o acesso à informação, substituindo, por exemplo, a leitura de jornais, revistas e até idas às bibliotecas, ainda cabia ao indivíduo ler, processar e interpretar o conteúdo. Agora, com a inteligência artificial, parte desse processo pode ser automatizado.

Diante disso, a recomendação que emerge é a de mergulhar nessas ferramentas não com medo, mas com curiosidade. No novo cenário, o profissional do futuro tende a não ser aquele que sabe tudo, mas o que sabe aprender com o auxílio das melhores tecnologias.

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