Correios buscam R$ 8 bi para modernização após prejuízo de R$ 8,5 bi em 2025

Estatal registra 14 trimestres consecutivos de resultado negativo e precisa adaptar estrutura ao mercado de entregas de mercadorias, segundo presidente Emmanoel Rondon

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Divulgação/Correios)

Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, após registrar resultado negativo de R$ 2,6 bilhões em 2024. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas desde o quarto período de 2022.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (24/04) pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, que informou que os números ainda vão “demorar um pouco a melhorar”. A empresa busca investimento de R$ 8 bilhões para adaptar sua estrutura ao mercado de entregas de mercadorias.

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou a TMC que a estatal necessita de uma “modernização urgente” em seu modelo de negócios. O parlamentar destacou que a crise se tornou mais evidente após a implementação da tributação sobre compras internacionais de pequeno valor.

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“Houve uma queda muito grande por conta dessa taxa, que diminuiu as compras do exterior. Esse foi um fator importante para que a crise da empresa ficasse evidente para todos“, explicou o deputado.

A empresa enfrenta dificuldades para adaptar suas operações à nova realidade do mercado. A estatal historicamente concentrava atividades no envio de correspondências em papel. Agora precisa se ajustar à logística de mercadorias e ao comércio eletrônico.

“Os Correios do mundo todo enfrentam o mesmo problema: a mudança da natureza das entregas”, afirmou Zarattini. “Antigamente entregavam cartas e envelopes; hoje, entregam mercadorias”, completou.

O deputado defendeu que o investimento de R$ 8 bilhões buscado pela empresa não deve servir apenas para cobrir déficits no caixa. Segundo ele, o montante deve ser direcionado para adaptar a estrutura física da estatal às novas demandas do mercado.

Debate sobre privatização ganha força

Em meio à crise financeira da estatal, o debate sobre a privatização dos Correios voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional. Em entrevista para a TMC, o deputado federal Fábio Luiz Schiochet Filho (União-SC) defende que a empresa seja privatizada com urgência, criticando o que classifica como ineficiência na gestão.

“Desde 2018, eu venho batendo na tecla que o Correio, ele é ineficiente. Porque o mundo mudou, as questões de logística mudaram e o Correio ficou como um grande cabide de emprego a nível nacional. E não faço aqui, de forma nenhuma, uma crítica a quem está trabalhando nos Correios, mas sim à gestão dos Correios”, afirmou o parlamentar.

Schiochet argumenta que a empresa perdeu o momento ideal para ser privatizada. “O Correio tinha um grande ativo em 2015, em 2016, em 2017, que perdeu a vazada de ser privatizado e entrar com grande caixa. Nós temos que fazer a conta do que foi investido nos Correios nos últimos 10 anos para salvar o caixa e cada vez vai ser pior. Então, assim, o Correio tem que ser privatizado para ontem acabar com essa questão, porque isso é um grande rombo nas contas públicas do governo federal”, declarou.

O deputado do União-SC reconhece que a marca Correios ainda possui valor de mercado e atrai interesse internacional. “Existem várias empresas, a nível mundial interessadas no portfólio dos Correios. Os Correios ainda é uma marca muito forte no Brasil e uma marca que traz segurança, que traz muito crédito”, afirmou.

Sobre o passivo acumulado pela estatal, Schiochet propõe que eventuais compradores assumam as dívidas como parte do processo de privatização. “São 20 bilhões de reais que vão ter que ser destinados para salvar os Correios. Então, na minha visão, a gente começar uma tratativa, botar na mesa, que comece a discutir a privatização, Fato é que não tem mais como continuar salvando o correio. É uma empresa que vem dando prejuízo atrás de prejuízo. E é que nem unha. Começa a crescer, tem que cortar. A verdade é essa”, declarou o parlamentar.

O deputado criticou ainda a postura do governo federal sobre o tema. “A questão da narrativa que o governo federal vende, nós somos contra a privatização, isso é do povo, mas vem dando um prejuízo para o povo. Então tem que se botar na mesa, tem que se dialogar e se conversar. Isso parece mais uma bandeira de campanha da esquerda, nós somos contra a privatização, mas espera aí, isso vai chegar um momento que vai quebrar não só o Correio, Como pode botar em xeque o orçamento do governo federal? É uma bola de neve”, afirmou Schiochet.

Defesa da manutenção do serviço público

Em posição oposta, Zarattini alertou para a possibilidade de um “apagão logístico” em regiões menos lucrativas caso ocorra privatização. O parlamentar destacou que empresas privadas do setor concentram operações em eixos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

“Se o Correio for privatizado ou parar de funcionar, as entregas vão se concentrar apenas nos mercados lucrativos”, declarou o parlamentar. “Os mercados menos atrativos vão ter um encarecimento violento ou deixarão de ser atendidos. É fundamental manter o Correio público para garantir o direito de todos os brasileiros”, completou.

O deputado argumentou que o Estado deve garantir atendimento a 100% das localidades brasileiras. Cidades pequenas e regiões remotas poderiam sofrer com fretes abusivos ou interrupção do serviço em caso de privatização.

Leia mais: Três anos e meio no vermelho: Correios fecham 2025 com rombo de R$ 8,5 bi

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