Entenda o que é a Opep e como a saída dos Emirados Árabes abala o mercado de petróleo

Entidade que reúne 12 nações e controla 40% da produção mundial de petróleo perde membro estratégico em meio a crise causada pela guerra no Irã

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: André Ribeiro/Agência Petrobras)

O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acendeu um alerta no mercado global de petróleo. Com a crise no Oriente Médio por causa da guerra contra o Irã e os impactos da restrição de circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz, o mundo tem observado um aumento substancial no preço dos combustíveis e o reflexo imediato em produtos de diversas áreas.

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O que é a OPEP?

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo foi criada em 1960, em Bagdá, por cinco países fundadores: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Ao longo do tempo, outras nações aderiram à organização, ampliando sua influência no mercado mundial de petróleo. Alguns membros, porém, suspenderam ou encerraram sua participação em diferentes momentos, o que fez com que o número de integrantes variasse.

Atualmente, a OPEP conta com 12 países membros: Arábia Saudita (líder histórico), IraqueIrãKuwaitEmirados Árabes UnidosArgéliaLíbiaNigériaGabãoGuiné EquatorialCongo e Venezuela. A Arábia Saudita define as estratégias de produção.

O objetivo da OPEP é coordenar e unificar as políticas petrolíferas dos países membros, buscando estabilizar o mercado e garantir preços equilibrados para produtores e consumidores. Seu estatuto estabelece regras para adesão, permitindo a entrada de países com grande exportação de petróleo e interesses alinhados ao grupo, desde que aprovados pela maioria dos membros. Além disso, a organização prevê categorias como membros plenos e associados, de acordo com o nível de participação e requisitos atendidos.

O grupo controla cerca de 40% da produção mundial e suas decisões impactam diretamente o preço do barril, o que afeta desde o valor da gasolina no posto até o custo do frete de produtos. Quando a Opep decide reduzir a produção, a oferta de petróleo no mercado diminui e os preços sobem. Quando aumenta a produção, os preços tendem a cair. Essa capacidade de influenciar o mercado global torna a Opep um dos principais atores geopolíticos do setor energético.

Agora, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Opep e também a Opep+, aliança que reúne membros da organização original e parceiros como a Rússia. A saída passa a valer em 1º de maio.

Queda na produção

Opep+ registrou em março uma queda de 7,7 milhões de barris por dia na produção. O volume ficou em 35,06 milhões de barris diários, uma redução de 18% em relação aos 42,76 milhões de barris produzidos em fevereiro. A queda foi causada pela guerra no Irã.

A Opep também cortou sua previsão de demanda mundial de petróleo para o segundo trimestre. A redução foi de 500 mil barris por dia. Apesar disso, o gurpo manteve a projeção para o ano inteiro e a expectativa é de recuperação do consumo nos próximos meses.

Estreito de Ormuz

A guerra fechou o Estreito de Ormuz, rota petrolífera mais importante do mundo e por onde passa cerca de 20% a 30% do petróleo transportado por navios. O fechamento interrompeu a produção de milhões de barris no Oriente Médio e fez os preços dos combustíveis dispararem.

Na prática, segundo analistas do setor, o fechamento do estreito pressiona os custos de transporte e refino. Isso se traduz em gasolina e diesel mais caros para o consumidor final.

Revés para a Arábia Saudita

A saída dos Emirados representa um golpe para a Opep e sua estrutura ampliada. O movimento atinge especialmente a Arábia Saudita, que historicamente coordena as estratégias de produção do grupo para influenciar os preços globais do petróleo.

A decisão ocorre em um momento de volatilidade nos preços, rearranjos geopolíticos e disputas por influência sobre o fluxo global de energia. Segundo o governo emiratense, a escolha foi tomada após várias discussões sobre o cenário internacional do petróleo.

Em Washington, o anúncio ganhou interpretação política. O movimento é visto como uma vitória para Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A saída dos Emirados enfraquece a capacidade da Opep de controlar a oferta global, o que pode beneficiar países consumidores como os EUA.

Reunião internacional

Enquanto a guerra abala os mercados de petróleo e gás, governos de cerca de 60 países — incluindo BrasilAlemanhaCanadá e Nigéria — realizarão a primeira reunião internacional para discutir a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. O encontro de ministros e autoridades acontece em Santa Marta, na Colômbia, a partir desta terça-feira.

A reunião se concentrará em medidas práticas para afastar as economias dos combustíveis fósseis — justamente no momento em que a guerra do Irã faz os preços do petróleo dispararem. O paradoxo ilustra o desafio da transição energética: reduzir a dependência do petróleo enquanto crises geopolíticas tornam o produto ainda mais estratégico.

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