A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não vai ficar sem resposta. Segundo apuração da TMC, o presidente Lula já decidiu partir para o contra-ataque e vai começar a exoneração de aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, numa reação direta ao que classificou, nos bastidores, como traição política.
O clima em Brasília azedou rapidamente. Até o último minuto, Lula havia mobilizado sua base para manter de pé os acordos que garantiriam a aprovação de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. O esforço foi total, mas insuficiente. O governo sabia que corria risco, mas não esperava um desfecho tão simbólico e constrangedor.
Do outro lado, Alcolumbre jogou pesado. Em articulação silenciosa com nomes da oposição e do Centrão, trabalhou para montar uma barreira de votos contra o indicado de Lula. E conseguiu. O resultado foi uma derrota histórica: desde 1894, o Senado não rejeitava uma indicação presidencial para o STF. Um vexame que expõe, sem disfarces, a fragilidade da articulação política do governo.
A tensão aumentou ainda mais com o vazamento de um áudio constrangedor. De microfone aberto, Alcolumbre sussurra ao senador Jacques Wagner, líder do governo no Senado, uma previsão precisa do placar: Messias perderia por oito votos. Quase cravou — a diferença final foi de sete. Nos bastidores, a interpretação foi imediata: não era palpite, era roteiro.
Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela TMC afirmam que Lula não engoliu o episódio. O presidente teria atribuído diretamente a Alcolumbre a responsabilidade pela derrota e passou a tratá-lo como traidor. A avaliação interna é de que houve uma articulação deliberada para sabotar o governo no momento mais sensível.
A reação veio rápido. Ainda após o resultado, Lula convocou uma reunião de emergência com o ministro das Relações Institucionais, Zé Guimarães, e líderes governistas. O encontro não foi para lamentações. Foi uma reunião para traçar o revide.
E ele já começou. A primeira medida será mexer onde mais dói: cargos. Indicações de Alcolumbre dentro do governo federal entrarão na mira e devem começar a cair nos próximos dias. A ordem é clara: cortar espaço político de quem, na avaliação do Planalto, rompeu acordos.
Nos bastidores, o clima é de caça interna. O governo também quer identificar quem, dentro da própria base, cruzou a linha e votou contra. A desconfiança agora se espalha e pode custar caro para aliados que apostaram no anonimato do voto.
O episódio escancara uma crise política que vai além de uma votação. Mostra um governo vulnerável no Congresso e disposto a reagir com dureza. O recado foi dado: a derrota não ficará sem consequência.
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