Igor Damasceno
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Igor Damasceno é jornalista há 8 anos e especializou-se em política nacional. Com passagens por grandes redações como SBT, Jovem Pan, TV A Crítica e Rede TV, cobriu alguns dos fatos históricos recentes, como os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e o julgamento da chamada trama golpista. Igor conhece bem os bastidores do poder e vê além da informação oficial.

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Lula chama Alcolumbre de traidor e vai demitir aliados do presidente do Senado

A ordem é clara: cortar espaço político de quem, na avaliação do Planalto, rompeu acordos ao derrubar indicação para o STF

Por Igor Damasceno | Atualizado em
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não vai ficar sem resposta. Segundo apuração da TMC, o presidente Lula já decidiu partir para o contra-ataque e vai começar a exoneração de aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, numa reação direta ao que classificou, nos bastidores, como traição política.

O clima em Brasília azedou rapidamente. Até o último minuto, Lula havia mobilizado sua base para manter de pé os acordos que garantiriam a aprovação de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. O esforço foi total, mas insuficiente. O governo sabia que corria risco, mas não esperava um desfecho tão simbólico e constrangedor.

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Do outro lado, Alcolumbre jogou pesado. Em articulação silenciosa com nomes da oposição e do Centrão, trabalhou para montar uma barreira de votos contra o indicado de Lula. E conseguiu. O resultado foi uma derrota histórica: desde 1894, o Senado não rejeitava uma indicação presidencial para o STF. Um vexame que expõe, sem disfarces, a fragilidade da articulação política do governo.

A tensão aumentou ainda mais com o vazamento de um áudio constrangedor. De microfone aberto, Alcolumbre sussurra ao senador Jacques Wagner, líder do governo no Senado, uma previsão precisa do placar: Messias perderia por oito votos. Quase cravou — a diferença final foi de sete. Nos bastidores, a interpretação foi imediata: não era palpite, era roteiro.

Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela TMC afirmam que Lula não engoliu o episódio. O presidente teria atribuído diretamente a Alcolumbre a responsabilidade pela derrota e passou a tratá-lo como traidor. A avaliação interna é de que houve uma articulação deliberada para sabotar o governo no momento mais sensível.

A reação veio rápido. Ainda após o resultado, Lula convocou uma reunião de emergência com o ministro das Relações Institucionais, Zé Guimarães, e líderes governistas. O encontro não foi para lamentações. Foi uma reunião para traçar o revide.

E ele já começou. A primeira medida será mexer onde mais dói: cargos. Indicações de Alcolumbre dentro do governo federal entrarão na mira e devem começar a cair nos próximos dias. A ordem é clara: cortar espaço político de quem, na avaliação do Planalto, rompeu acordos.

Nos bastidores, o clima é de caça interna. O governo também quer identificar quem, dentro da própria base, cruzou a linha e votou contra. A desconfiança agora se espalha e pode custar caro para aliados que apostaram no anonimato do voto.

O episódio escancara uma crise política que vai além de uma votação. Mostra um governo vulnerável no Congresso e disposto a reagir com dureza. O recado foi dado: a derrota não ficará sem consequência.

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