A Fundação Narges informou a transferência da ativista iraniana Narges Mohammadi, de 53 anos, da prisão para um hospital nesta sexta-feira (01/05). A vencedora do Nobel da Paz em 2023 está presa desde dezembro de 2025 por críticas ao governo iraniano.
A organização que representa Mohammadi relatou deterioração grave do estado de saúde da ativista, que possui problemas cardíacos e ficou meses sem tratamento médico adequado.
A Fundação Narges registrou “uma deterioração catastrófica de sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca”. A ativista perdeu mais de 19 quilos durante a detenção. Advogados que visitaram Mohammadi na segunda-feira (28/04) constataram pressão arterial “em níveis perigosos”. A medicação não reverteu o quadro.
O agravamento crítico das condições de saúde motivou a remoção para o hospital. A família pressionou durante semanas pela transferência. “Sua família, que há semanas vem lutando por sua transferência para instalações adequadas, descreveu a transferência como uma ação desesperada, de ‘última hora’, que pode ser tarde demais para atender às suas necessidades críticas.”
Autoridades iranianas rejeitaram pedidos para suspender temporariamente a pena e permitir atendimento cardíaco especializado. A negativa ocorreu mesmo diante de recomendações médicas, conforme informou a Fundação Narges.
O quadro de saúde piorou após ataque cardíaco grave em 24 de março. Familiares relataram que Mohammadi sentiu dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão. A ativista passou por três angioplastias nos últimos anos.
A Fundação Narges divulgou nota na quarta-feira (29/04) alertando sobre risco de vida. Mohammadi estava detida na prisão central de Zanjan, no norte do Irã. A família e médicos solicitaram transferência para hospital em Teerã. As autoridades locais negaram a demanda.
Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025. Em fevereiro de 2026, recebeu condenação que ampliou sua pena em 7,5 anos de prisão. Organizações de direitos humanos classificam as condições de detenção em Zanjan como severas.
A ativista iraniana é reconhecida por sua atuação contra a pena de morte e em defesa dos direitos das mulheres no Irã. Hamidreza Mohammadi, irmão da ativista, declarou: “Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta”.
A Fundação Narges solicitou à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas e a entidades de direitos humanos que pressionem o Irã pela transferência imediata de Mohammadi a uma unidade de saúde especializada. A organização também pediu a libertação da ativista e de outros presos.
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