A Polícia Militar desmontou estruturas irregulares instaladas em vias de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, no domingo (3). A operação mobilizou cerca de 60 policiais militares. A ação ocorreu menos de 24 horas após a Folha de São Paulo publicar reportagem sobre o controle territorial exercido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) na favela, que abriga quase 60 mil moradores.
As barreiras eram formadas por barras de ferro e peças de concreto. A sigla PCC estava marcada em ao menos uma das estruturas. Os agentes utilizaram marretas e serra elétrica para a remoção. A operação contou com o apoio de drones e 15 veículos.
Imagens feitas pela Folha com um drone revelaram a existência de gradis metálicos removíveis nas vias, semelhantes aos utilizados em eventos para controlar o público. As imagens mostraram que o local era vigiado por pelo menos dois homens. Moradores ouvidos pela reportagem relataram que, nos locais onde havia barreiras, estranhos não poderiam passar sem se identificar, tanto de dia quanto de noite.
Operação integra plano de intensificação do policiamento
A corporação informou que a ação faz parte de um “plano de intensificação do policiamento” na região. “A medida busca restabelecer o acesso em áreas da favela e dificultar a atuação de grupos criminosos”, declarou a PM em comunicado distribuído à imprensa.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a polícia mantém presença permanente na região. Ele declarou que as operações são baseadas em dados de inteligência. A PM informou que deve manter o plano ao longo da semana.
A Secretaria da Segurança Pública destacou ter realizado 291 prisões na região entre janeiro e abril deste ano. Desse total, 120 foram capturas de procurados pela Justiça. A pasta registrou 198 prisões em flagrante no mesmo período. A SSP informou a apreensão de 39 armas entre janeiro e abril. Cerca de 1,1 tonelada de drogas foi apreendida no intervalo. A secretaria registrou ainda a apreensão de 156 veículos.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) compartilhou imagens da operação em uma rede social. “Não haverá lugar em São Paulo onde a polícia não entre ou onde o Estado seja impedido de atuar. A luta contra o crime organizado é diária, e não permitiremos que bandidos controlem territórios e subjuguem moradores e comerciantes”, afirma ele na postagem.
“O PCC nasceu, cresceu e se espalhou pelo país durante governos que negavam a sua existência e, muitas vezes, foram coniventes”, continua a postagem. “Nós não somos mais assim. Vamos lutar todos os dias para afastar esse mal, que causa medo à nossa população e atrapalha o crescimento do nosso estado.”
O vídeo postado pelo governador mostra policiais utilizando marretas e serra elétrica para a remoção dos bloqueios. Em uma imagem, a sigla PCC aparece marcada no concreto ao lado de uma estrutura instalada no chão. Em outra imagem, uma corrente está conectada a duas barras de ferro. A reportagem solicitou à Secretaria da Segurança Pública e à PM o endereço dos locais onde houve a ação. Não recebeu resposta até a publicação do texto. Não há menção no vídeo divulgado pelo governador a Paraisópolis. A Folha confirmou que as imagens se referem à operação deste domingo.
Leia Mais: Megaoperação em São Paulo mira as “gangues quebra-vidros”




