O Banco Central (BC) avalia que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que a duração da guerra até o momento pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado, mostrou nesta terça-feira (05/05) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
“O Comitê mais uma vez debateu alterações mais amplas no balanço de riscos para a inflação”, disse o BC no documento.
O BC, no entanto, manteve em suas comunicações o mesmo número de riscos que podem pressionar a inflação para cima e para baixo, fazendo ajustes pontuais, e destacou na ata que “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de calibração da Selic.
Na semana passada, o BC cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir os juros à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de “calibração” da taxa.
Na ata, a autarquia afirmou que entre os riscos que parecem ter se materializado após a guerra, aparece de forma mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para 2028.
“Nesse contexto, o Comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada”, apontou.
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O BC destacou ainda que as últimas divulgações de inflação ao consumidor e ao produtor mostraram “sinais claros” de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com indicadores em valores significativamente acima dos inicialmente esperados.
O documento reafirmou que uma inflação pressionada pela demanda requer política monetária contracionista.
Na visão da autarquia, a política de juros tem contribuído “de forma determinante” para a desinflação observada, tendo atuado também na desaceleração do crédito.
Por Reuters




