Copom corta Selic em 0,25 ponto percentual e sinaliza ciclo de juros mais alto e lento

O corte de 0,25 ponto percentual confirmou as expectativas do mercado financeiro e marcou a segunda redução desde o início do novo ciclo

Por Felipe Pjevac | Atualizado em
Copom reduziu taxa Selic em 0,25%. (Foto: Unsplash)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 14,50% ao ano em decisão anunciada nesta quarta-feira (29/04). O corte de 0,25 ponto percentual confirmou as expectativas do mercado financeiro e marcou a segunda redução consecutiva desde o início do novo ciclo de afrouxamento monetário em março.

A decisão ocorre em um ambiente de cautela, refletindo os impactos inflacionários da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e a consequente volatilidade nos preços do petróleo.

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A autoridade monetária mantém o foco na inflação projetada, que ainda não atingiu patamares considerados confortáveis para o Banco Central. Segundo analistas do setor financeiro, três pilares sustentaram a moderação do corte: a resiliência do mercado de trabalho, que mantém a inflação de serviços elevada; o cenário externo com juros altos nos EUA; e o risco fiscal doméstico.

O mercado passou a precificar uma “taxa neutra” brasileira estruturalmente mais elevada, alterando as projeções para o encerramento do ciclo de cortes. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca que a narrativa mudou de uma queda rápida para um processo “pouco e devagar”.

Ele aponta que as expectativas para o IPCA em 2026 e 2027 estão se desancorando, com o acumulado de 12 meses encostando no teto da meta. “O ciclo de afrouxamento monetário que o mercado precificava em janeiro deixou de existir tal como era imaginado”, afirma Trevisan, ressaltando que o ponto de chegada da Selic deve ser superior ao esperado anteriormente.

Apesar do corte nos juros, os efeitos na economia real, como a redução no custo do crédito e estímulo ao consumo, devem levar cerca de seis meses para serem sentidos pela população. Especialistas alertam que, no curto prazo, o financiamento deve permanecer restrito e caro, enquanto os investimentos corporativos tendem a ser mais seletivos devido ao alto custo de capital.

O atual diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos tem favorecido a valorização do Real, mas analistas advertem que esse alívio cambial pode ser temporário diante das incertezas fiscais e do calendário eleitoral.

A atenção dos investidores agora se volta para o comunicado do Banco Central, que deve reforçar a vigilância sobre o repasse dos custos das commodities e a dependência de dados fiscais para as próximas reuniões. Com a Selic terminal sendo projetada em patamares próximos a 13%, a renda fixa pós-fixada continua sendo apontada como uma opção atrativa para os investidores brasileiros.

O próximo round de definições ocorrerá na terça-feira (05/05), com a divulgação da ata do Copom, que trará detalhes técnicos sobre o debate interno do comitê.

Leia mais: Banco Central dos EUA mantém juros entre 3,50% e 3,75% em despedida de Powell

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