O confronto entre Corinthians e Santa Fe, válido pela fase de grupos da Libertadores, coloca o time brasileiro diante de um obstáculo além do adversário: os 2.640 metros de altitude do Estádio Nemesio Camacho El Campín, em Bogotá. Líder do Grupo E com 100% de aproveitamento, o Corinthians chega em vantagem na tabela, mas precisará lidar com um cenário fisiologicamente exigente.
A altitude reduz a disponibilidade de oxigênio no organismo, afetando diretamente o rendimento dos atletas. “A altitude impacta diretamente o desempenho do jogador porque reduz a disponibilidade de oxigênio no organismo. Com isso, o atleta se cansa mais rápido, tem dificuldade em repetir arrancadas e demora mais para se recuperar entre esforços”, explica Letícia Villani, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil).
Mesmo dentro da faixa considerada “moderada”, o nível de Bogotá já é suficiente para provocar alterações importantes no desempenho. “Mesmo em altitudes consideradas moderadas, entre 1.200 e 2.500 metros, já há efeitos importantes: o músculo entra em fadiga mais cedo, há maior acúmulo de lactato e o tempo de recuperação aumenta. Além disso, a menor oxigenação também afeta o cérebro, prejudicando o controle dos movimentos”, detalha a fisioterapeuta.
Na prática, isso pode significar um Corinthians menos intenso, com maior dificuldade para manter pressão alta e repetir sprints ao longo da partida. A tendência é de um jogo mais cadenciado, com impacto direto na estratégia da equipe, especialmente fora de casa. “Mesmo com algum nível de adaptação, o desempenho em campo é impactado. A velocidade tende a cair, a capacidade de repetir esforços diminui e o tempo até a exaustão é reduzido. Isso aumenta também o risco de lesões musculares”, acrescenta a especialista.
Além da queda de rendimento, há também riscos físicos. Sintomas como fadiga, tontura e falta de ar são comuns, e o tempo de recuperação após o jogo tende a ser mais longo. Em um calendário apertado, esse fator pode influenciar inclusive nas próximas partidas.
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Diante desse cenário, o duelo em Bogotá deixa de ser apenas técnico e tático, passa a ser também um teste de resistência e adaptação fisiológica para o Corinthians, que tenta manter a liderança do grupo mesmo enfrentando um dos contextos mais desafiadores do futebol sul-americano.




