O senador Jaques Wagner (PT) afirmou que a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal resultou de articulações políticas nos bastidores do Senado. O Advogado-geral da União teve seu nome rejeitado pelos senadores em votação realizada em abril. Wagner concedeu entrevista ao Bahia Notícias nesta quarta-feira (06/05), durante agenda na China.
O parlamentar declarou que aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a responsabilizá-lo por suposto erro na contagem de votos favoráveis à indicação. Wagner classificou como injusto o tratamento dispensado a Messias durante o processo de sabatina.
“Dizem que você só consegue enxergar melhor o momento, quando ele fica um pouco mais distante. Ainda estamos muito no calor do meu sofrimento, do presidente Lula, e principalmente do Jorge Messias, que é um ser humano maravilhoso, é uma pessoa super qualificada e que seguramente não merecia sofrer o ódio de quem está fazendo de uma sabatina um julgamento do presidente da República recaindo nele“, declarou.
O líder do governo no Senado revelou que suas projeções antes da votação indicavam aprovação do nome de Messias. Wagner trabalhava com estimativa entre 41 e 42 votos favoráveis. Esse número seria suficiente para confirmar a indicação presidencial.
“Eu sempre digo que voto secreto é um voto complicado para ter a conta. Eu nunca tinha feito nenhuma conta menor do que 41-42 votos, ou seja, com aprovação dele. E infelizmente muita gente sorrateiramente trabalhou por debaixo do pano, a gente não se deu conta, não percebeu, e na minha opinião as pessoas fizeram uma triste tarde daquela quarta-feira”, afirmou.
O senador argumentou que a sabatina deveria ter se concentrado na avaliação das qualificações técnicas do indicado. Wagner citou o texto constitucional para defender que cabe ao Senado verificar se o candidato possui notório saber e reputação ilibada.
“E quando estiver mais distante eles vão perceber, porque o texto constitucional, depois da prerrogativa do presidente é exercida escolhendo nome, cabe ao Senado saber se a pessoa tem [notório] saber e reputação ilibada. A sabatina é para isso”, acrescentou.
Wagner negou ter atuado contra a indicação de Messias. O senador atribuiu as críticas que recebeu a uma disputa envolvendo o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Messias trabalhou com Wagner durante quatro anos. O parlamentar afirmou que se empenhou pela aprovação do nome escolhido por Lula.
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“Infelizmente as pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não, estavam a fim de dar uma cacetada no presidente. Tentaram jogar em cima de mim, trabalhei o tempo todo, Messias trabalhou comigo por quatro anos. Por isso que muitos ficaram com raiva de mim, havia uma torcida por Rodrigo Pacheco, e as pessoas acham que eu mando na cabeça do presidente Lula. Ele escolheu o Messias e eu fui trabalhar pela sua aprovação. Na minha opinião foi uma coisa mesquinha daqueles que usaram uma sabatina para fazer uma disputa política indevida”, declarou.
O líder do governo revelou que sua relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), ficou desgastada após o processo de votação. Wagner explicou que sua função exige diálogo com todos os parlamentares. O senador conversa inclusive com membros da oposição devido à ausência de maioria governista na Casa.
“Minha função como líder do governo é conversar com todo mundo, converso com o presidente do Senado, com Flavio Bolsonaro… Se eu não conversar com todo mundo eu não consigo aprovar as matérias porque nós não temos maioria. Infelizmente minha relação ficou muito estremecida com o presidente do Senado, porque ele queria o Pacheco, e por ser líder do governo ele acha que eu deveria arrancar isso do presidente, mas repito: não mando na cabeça do presidente”, concluiu.




