O economista Francisco Lafaiete Lopes, conhecido como Chico Lopes, faleceu aos 81 anos no Rio de Janeiro. A morte ocorreu nesta sexta-feira (08/05) durante internação no Hospital Pró-Cardíaco. Lopes foi ex-presidente do Banco Central e participou da elaboração de planos econômicos que marcaram a história brasileira.
O economista deixa um legado de participação em debates centrais sobre economia brasileira e política econômica que atravessaram décadas.
Chico Lopes graduou-se em economia pela UFRJ. Cursou mestrado na EPGE da FGV do Rio, instituição reconhecida como berço do pensamento acadêmico de linhagem neoclássica e ortodoxa na teoria econômica nacional. Completou sua formação com doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
No fim dos anos 1970, fundou o programa de pós-graduação do Departamento de Economia da PUC-Rio. Nesse período, convidou economistas que posteriormente teriam papéis relevantes na economia brasileira para integrar o departamento. Entre eles estavam Edmar Bacha e Pedro Malan.
O economista esteve envolvido na elaboração do Plano Cruzado, implementado em 1986. Participou também do Plano Bresser, de 1988. Durante esse período, teve atuações no governo. Trabalhou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 1979.
Lopes não participou diretamente do governo Itamar Franco. Foi consultado pela equipe de economistas responsável pela elaboração do Plano Real. Esse plano estabeleceu medidas que estabilizaram a hiperinflação que atingia o país em 1994. Sua proximidade com Edmar Bacha e Pedro Malan, integrantes da equipe do Plano Real, facilitou essa colaboração.
No primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, Lopes participou de medidas consideradas importantes para o sucesso do Plano Real no longo prazo. Atuou durante os primeiros anos de estabilização da inflação.
Chegou à diretoria do Banco Central por convite de Persio Arida. Havia trabalhado com Arida no Plano Cruzado. Arida, coautor ao lado de André Lara Resende do artigo acadêmico considerado a gênese dos planos de estabilização, assumiu o comando da autoridade monetária no início do primeiro governo tucano.
Na gestão de Arida, Lopes ocupou o cargo de primeiro diretor de Política Econômica do BC. Posteriormente, na gestão de Gustavo Loyola, assumiu a diretoria de Política Monetária. Participou do Comitê de Política Monetária (Copom). O Copom é responsável pela fixação da taxa básica de juros (Selic). A Selic se consolidou como principal instrumento de controle da inflação a partir da introdução do regime de metas em 1999. A introdução ocorreu na gestão de Arminio Fraga, sucessor de Lopes.
Em depoimento à coleção do BC, de 2019, Lopes avaliou: “A criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária”.
A crise da maxidesvalorização do real ocorreu no início de 1999. A crise aconteceu após a gestão de Gustavo Franco no Banco Central.
O envolvimento da família de Lopes com figuras relevantes da história do país remonta a gerações anteriores. Lucas Lopes, pai de Chico, foi ministro da Fazenda no governo Juscelino Kubitschek. Ocupou o cargo de 1958 a 1959. Lucas Lopes era oriundo da política mineira.
Rodrigo Paulo de Padua Lopes, irmão mais velho de Chico, foi casado com Maria Estela Kubitschek. Maria Estela era filha de Juscelino.
Lopes se tornou conhecido do grande público por causa de um escândalo financeiro em 1999. Na época, presidia o Banco Central.




