O traficante Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui outras 11 pessoas, entre elas a esposa de Marcinho VP, Marcia Gama Nepomuceno, e o filho do casal, o cantor Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam. A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada protocolou a ação penal.
A Polícia Civil realizou uma operação na quarta-feira (29/04) para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra os denunciados. Oruam está foragido da Justiça desde fevereiro.
Atuação da organização criminosa
As investigações apontam que o grupo realizava o “branqueamento” de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades cariocas. Marcinho VP mantém influência hierárquica relevante no Comando Vermelho, coordenando recursos financeiros e estratégias para expandir a facção criminosa. Ele está preso há mais de 20 anos no presídio federal de segurança máxima em Campo Grande (MS).
A denúncia do MPRJ estruturou a organização criminosa em quatro núcleos de atuação.
O núcleo de liderança encarcerada tem Marcinho VP como integrante. Ele exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas, mesmo estando encarcerado.
O núcleo familiar é composto por Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno. Eles intermediam a execução das ordens e a gestão de ativos.
O núcleo de suporte operacional inclui Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, o Magrão, e Jeferson Lima Assis. O grupo presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial, camuflando o crescimento patrimonial da organização.
O núcleo de liderança operacional é formado por Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; Luciano Martiniano, o Pezão; Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D; e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam. Eles atuam nas comunidades na execução das práticas criminosas, incluindo o tráfico de drogas. Os integrantes recebem valores dessas atividades e repassam parte deles ao núcleo familiar.
Gestão financeira e ocultação de patrimônio
Marcia Nepomuceno exercia a função de gestora financeira do grupo, sendo descrita pelo Ministério Público como a responsável pela administração dos recursos da organização. Ela recebia regularmente quantias em espécie de traficantes vinculados ao Comando Vermelho. Entre os fornecedores desses valores estavam Doca, Abelha e Pezão.
Marcia Nepomuceno adquiriu e administrou estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas para ocultar o patrimônio acumulado.
Oruam era beneficiário direto dos recursos ilícitos. Ele recebia dinheiro proveniente das atividades criminosas e utilizava sua carreira musical para dissimular a origem dos valores obtidos pela organização, camuflando o dinheiro ilícito por meio de sua atuação no meio artístico.
O cantor recebeu dinheiro de traficantes como Doca e Pezão. Ele destinou os recursos a despesas pessoais, viagens, festas e investimentos.
O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, responsável pela defesa de Oruam, declarou que ainda não teve acesso ao novo pedido de prisão do cantor.
O advogado Flávio Fernandes, que representa Márcia Gama, informou que não teve acesso aos autos do processo.




