O basquetebol brasileiro vive um momento de efervescência com os playoffs do NBB, mas a sombra — e o brilho — de seu maior ídolo, Oscar Schmidt, continua sendo a régua pela qual o esporte é medido. Em entrevista à TMC, o técnico e palestrante Alberto Bial foi categórico: embora o Brasil viva um florescer de novos talentos e uma liga fortalecida, a busca por um “novo Oscar” é uma tarefa impossível.
Para Bial, Oscar Schmidt não foi apenas um jogador, mas um exemplo de superação técnica que dificilmente se repetirá. “Nunca teremos nenhum jogador nem próximo ao carisma, à qualidade de jogo e à capacidade de evoluir como o Oscar”, afirmou o treinador.
Ele relembrou que o “Mão Santa” não nasceu pronto; começou no juvenil jogando como pivô e sem um arremesso apurado. Foi a disciplina obsessiva que o transformou em uma lenda mundial. Essa lacuna deixada pelo ídolo serve hoje como inspiração, mas também como um lembrete da necessidade de profissionalismo extremo para quem deseja brilhar no exterior.
A nova geração: o DNA de gigantes
Se um novo Oscar é improvável, a renovação do DNA brasileiro é real. Bial aponta que o caminho para o sucesso hoje passa pela precocidade e pelo biótipo. O destaque atual recai sobre a “dinastia” de Gui Santos, hoje no Golden State Warriors, e seu irmão Edu Santos, de apenas 16 anos.
- Edu Santos: com 2,08 m de altura, o jovem é visto por Bial como um fenômeno capaz de marcar a história.
- Renovação: nomes como Matias e Guilherme reforçam que, embora o ídolo máximo seja único, a base masculina está “muito adiantada e avançada”.
NBB: a “NBA das Américas” e o fator estrangeiro
Oscar brilhou na Europa, mas hoje Bial acredita que o Brasil possui o melhor produto das Américas fora da NBA. O NBB superou ligas tradicionais como a Argentina e a Venezuela. Um reflexo disso é a presença de estrangeiros, que elevam o nível técnico enquanto a base nacional se desenvolve.
O estado de São Paulo segue como o epicentro dessa força, com o Sesi Franca buscando o pentacampeonato, e clubes como Pinheiros e Paulistano operando sob um “esmero de planejamento” que remete às grandes ligas mundiais.
O alerta: a equidade como próximo passo
A herança de Oscar Schmidt também remete aos tempos de glória do basquete feminino (campeão mundial em 1994). No entanto, Bial faz um alerta crítico: o investimento atual é desequilibrado. “Fico triste ao falar: nossa base feminina está muito carente. Cria-se um sentimento de preconceito e discriminação”, lamentou.
Para o técnico, honrar a história do basquete brasileiro significa olhar para ambos os gêneros. Bial levará essa filosofia para a prática em junho, quando assumirá o comando simultâneo das Seleções Brasileiras Militares masculina e feminina no Mundial da França, buscando um tratamento equânime que o esporte exige nos tempos atuais.
Leia mais: Morre Oscar Schmidt: relembre os times que marcaram a trajetória do Mão Santa no basquete




