A operação montada pelas autoridades europeias após a chegada do cruzeiro MV Hondius à Espanha mostra como o trauma da pandemia ainda influencia a resposta internacional a surtos infecciosos.
Mesmo com o baixo risco de transmissão para a população em geral, governos europeus adotaram protocolos rígidos de isolamento, monitoramento e repatriação dos passageiros expostos ao hantavírus.
A embarcação chegou às Ilhas Canárias sem autorização para atracar imediatamente. Passageiros desembarcaram em pequenos grupos, usando roupas de proteção e máscaras, antes de serem enviados em voos fretados para seus países de origem.
França, Espanha, Holanda e Estados Unidos colocaram passageiros em quarentena após o surgimento de novos casos suspeitos durante os deslocamentos.
Até agora, há pelo menos seis casos prováveis ou confirmados e três mortes associadas ao surto. A Organização Mundial da Saúde afirma que novos casos ainda podem surgir, já que o período de incubação pode chegar a seis semanas.
Ao mesmo tempo, reforça que o vírus não apresenta comportamento semelhante ao da Covid-19 e que o risco para a população é considerado extremamente baixo.
A principal hipótese das autoridades é que o contágio tenha começado durante uma expedição feita por um casal holandês pela América do Sul antes do embarque. A região possui uma variante específica do hantavírus capaz de transmissão entre humanos em contatos muito próximos.
Dentro do cruzeiro, o ambiente fechado teria favorecido a disseminação limitada da doença.
O episódio também expôs o grau de vigilância criado após a pandemia. Autoridades rastreiam passageiros que deixaram a embarcação antes da confirmação do surto, incluindo um britânico que retornou para Tristão da Cunha, território remoto no Atlântico Sul.
Com a redução dos estoques de oxigênio da ilha, equipes médicas britânicas precisaram enviar suprimentos emergenciais para a região.
Mais do que o surto em si, a reação internacional evidencia como crises sanitárias passaram a ser tratadas com tolerância quase zero a riscos. Depois da Covid-19, governos preferem agir de forma preventiva diante de qualquer possibilidade de disseminação internacional.
Ao mesmo tempo, o caso também reforça a importância de separar vigilância de alarmismo. O hantavírus exige atenção das autoridades de saúde, mas não há indicação de uma ameaça global comparável à pandemia enfrentada pelo mundo há poucos anos.
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