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Correspondente na Europa, Marina Izidro cobre os principais desdobramentos políticos e econômicos do Reino Unido e da União Europeia. Uma análise refinada sobre como os eventos globais reverberam no Brasil.

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Europa reage com cautela após surto de hantavírus em cruzeiro

Casos ligados ao navio MV Hondius reacendem protocolos sanitários pós-Covid, enquanto autoridades reforçam que risco de pandemia é baixo

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Passageiros evacuados do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, na pista do Aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, na França
(Foto: Abdul Saboor/Reuters)

A operação montada pelas autoridades europeias após a chegada do cruzeiro MV Hondius à Espanha mostra como o trauma da pandemia ainda influencia a resposta internacional a surtos infecciosos.

Mesmo com o baixo risco de transmissão para a população em geral, governos europeus adotaram protocolos rígidos de isolamento, monitoramento e repatriação dos passageiros expostos ao hantavírus.

A embarcação chegou às Ilhas Canárias sem autorização para atracar imediatamente. Passageiros desembarcaram em pequenos grupos, usando roupas de proteção e máscaras, antes de serem enviados em voos fretados para seus países de origem.

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França, Espanha, Holanda e Estados Unidos colocaram passageiros em quarentena após o surgimento de novos casos suspeitos durante os deslocamentos.

Até agora, há pelo menos seis casos prováveis ou confirmados e três mortes associadas ao surto. A Organização Mundial da Saúde afirma que novos casos ainda podem surgir, já que o período de incubação pode chegar a seis semanas.

Ao mesmo tempo, reforça que o vírus não apresenta comportamento semelhante ao da Covid-19 e que o risco para a população é considerado extremamente baixo.

A principal hipótese das autoridades é que o contágio tenha começado durante uma expedição feita por um casal holandês pela América do Sul antes do embarque. A região possui uma variante específica do hantavírus capaz de transmissão entre humanos em contatos muito próximos.

Dentro do cruzeiro, o ambiente fechado teria favorecido a disseminação limitada da doença.

Leia mais: “Não é uma nova covid”, declara chefe da OMS sobre hantavírus; resgate de passageiros em navio é concluído

O episódio também expôs o grau de vigilância criado após a pandemia. Autoridades rastreiam passageiros que deixaram a embarcação antes da confirmação do surto, incluindo um britânico que retornou para Tristão da Cunha, território remoto no Atlântico Sul.

Com a redução dos estoques de oxigênio da ilha, equipes médicas britânicas precisaram enviar suprimentos emergenciais para a região.

Mais do que o surto em si, a reação internacional evidencia como crises sanitárias passaram a ser tratadas com tolerância quase zero a riscos. Depois da Covid-19, governos preferem agir de forma preventiva diante de qualquer possibilidade de disseminação internacional.

Ao mesmo tempo, o caso também reforça a importância de separar vigilância de alarmismo. O hantavírus exige atenção das autoridades de saúde, mas não há indicação de uma ameaça global comparável à pandemia enfrentada pelo mundo há poucos anos.

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