O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou qualquer comparação entre o surto de hantavírus em um navio de cruzeiro e a pandemia de covid-19. A declaração ocorreu durante uma visita dele a Madri no sábado (09/05), onde se reuniu com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
“Preciso que vocês me ouçam claramente: essa não é uma nova covid. O risco atual para a saúde pública relacionado ao hantavírus continua baixo”, afirmou Tedros. O chefe da OMS reconheceu a preocupação da população ao ver uma embarcação com casos de doença infecciosa se aproximando da costa europeia.
Neste domingo (10/05), o chefe da OMS também acompanha de perto ao lado de outras autoridades o resgate em Tenerife, nas Ilhas Canárias, dos 150 passageiros que ainda permaneciam no navio foco do surto da doença.

O MV Hondius, operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, chegou às Ilhas Canárias no domingo (10/05) após zarpar de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. A bordo estavam cerca de 150 passageiros e tripulantes.
Operação de resgate na Espanha é concluída
O Ministério da Saúde da Espanha realizou avaliação médica dos passageiros ainda a bordo. Todos foram submetidos a testes para detecção do vírus antes do desembarque.
A ministra da Saúde espanhola, Mónica García, confirmou que os passageiros foram retirados da embarcação com auxílio de barcos de apoio. Após os procedimentos sanitários, cada viajante retornou ao seu país de origem.
Três pessoas já haviam deixado o navio em Cabo Verde na quarta-feira (06/05), antes da confirmação oficial dos casos.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, informou que a tripulação permanecerá na embarcação. O MV Hondius navegará até a Holanda, onde passará por processo completo de desinfecção.
Segundo o governo espanhol, a operação de evacuação foi concluída neste domingo. A embarcação deixou águas espanholas com destino aos Países Baixos.
Cepa Andes e transmissão
A OMS identificou que a cepa presente entre os passageiros infectados é a Andes, variante do hantavírus capaz de transmissão entre humanos. Esta característica diferencia a cepa de outras variantes do vírus, que geralmente são transmitidas apenas por roedores.
Atualmente, a medicina não dispõe de imunizante ou terapia específica para combater a infecção. O tratamento consiste em cuidados de suporte aos sintomas.
Origem do surto permanece incerta
As investigações ainda não determinaram como o vírus chegou à embarcação. Especialistas acreditam que o primeiro contágio pode ter acontecido antes mesmo do início da expedição, possivelmente ainda em território argentino.
“Eu sei que vocês estão preocupados”, disse Tedros em sua declaração. “Eu sei que, quando vocês ouvem a palavra epidemia e veem um navio se aproximando de suas costas, memórias ressurgem – memórias que nunca apaziguamos totalmente. A dor de 2020 ainda é real, e eu não a minimizo nem por um instante.”
O diretor-geral da OMS reforçou que a situação está sob controle e que os protocolos sanitários adotados pela Espanha foram adequados para conter qualquer risco de propagação do vírus em território europeu.




