Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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“Segura a onda”: Lula freia reação da base após caso Ciro Nogueira

Investigação do Banco Master atinge aliado da oposição e faz Planalto evitar clima de revanche após derrota no STF

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Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula tenta encontrar um meio-termo entre a relação política — pensando na governabilidade — e a relação eleitoral na crise envolvendo o Banco Master. Apesar do dividendo eleitoral que o PT poderia capturar a partir do evento, Luiz Inácio pediu à sua base que preze pelo balanço nas manifestações e segurem o “oba-oba” (spoiler: já teve gente que não seguiu a orientação do chefe).

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Isso porque a operação relacionada ao Banco Master chegou de vez ao ambiente da política na semana passada, com nome e sobrenome, após atingir o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A investigação da Polícia Federal aponta que o senador teria recebido valores milionários para defender interesses do banco no Congresso Nacional.

Segundo as apurações, os pagamentos teriam ocorrido por meio de depósitos mensais e incluiriam benefícios como uso de imóvel de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de viagens internacionais, despesas em restaurantes e voos privados. Ciro nega as acusações e afirmou, nas redes sociais, que os acontecimentos são “perseguição política”, mas que lhe dão ainda mais energia para “lutar por mais recursos” para o Piauí.

O episódio ganhou ainda mais peso político porque Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), presidente do Senado, que se tornou um dos principais antagonistas do governo na recente disputa envolvendo a indicação, pelo presidente Lula, de Jorge Messias ao STF, é próximo de Ciro Nogueira. Além disso, Alcolumbre também é padrinho político do presidente da Amprev (Amapá Previdência), responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado, que investiu recursos no Banco Master.

Apesar disso, interlocutores do governo afirmam que a orientação dada pelo Presidente da República à sua base aliada foi clara: evitar qualquer clima de comemoração, deboche ou “oba-oba” contra a oposição após a operação da Polícia Federal. O objetivo é impedir que ganhe força a narrativa de aparelhamento das instituições, como se houvesse uma retaliação política articulada pelo Palácio do Planalto após o episódio de Messias recusado para a cadeira vaga no STF.

E um dos argumentos usados pelo próprio governo para afastar essa tese de “conspiração do sistema” é justamente o fato de que o relator do caso Banco Master no STF — investigação que alcançou Ciro Nogueira (que foi Ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro) — é o ministro André Mendonça, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do principal adversário de Luiz Inácio nas urnas em 2026, o Senador Flávio Bolsonaro.

Nos corredores do Poder, aliados de Bolsonaro rapidamente se deram conta do potencial de desgaste que a operação causaria para o campo de direita, especialmente por declarações recentes de Flávio em que cita Nogueira como “vice dos sonhos”, o que fez com que o filho 01 de Jair divulgasse vídeos em que defendia a investigação e criticando governistas por não apoiarem a CPI do Banco Master, mas evitou citar diretamente o nome de Ciro Nogueira.

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