Apesar da estratégia de comunicação confusa ao anunciar duas medidas populares no mesmo dia, está cada dia clara o novo ‘modus operandi‘ eleitoral adotado pelo governo.
Buscando protagonismo na pauta da segurança pública, a gestão Lula lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, que sem a aprovação da PEC da Segurança ainda não tem orçamento garantido. Diante disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) tem sinalizado adiar a apreciação do texto para depois das eleições.
Mas retomando o foco para a “taxa das blusinhas”, foi perceptível o improviso do anúncio da medida provisória, que aconteceu logo depois de uma reunião que não contou com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que se encontrava em uma audiência na Câmara.
O impacto eleitoral da medida por si só deve ser bem limitado, mas não desprezado. Não acredito que uma única medida possa ser determinante para o resultado eleitoral, um conjunto de ações de impacto de curto prazo com vistas às eleições faz sentido nessa construção, eleitoralmente falando.
E vou explicar o porquê disso:
Assim como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês – que até agora pouco alterou a avaliação do governo -, a medida surge como mais um ponto dentro de uma estratégia maior.
A ideia é que esse conjunto de ações, como Desenrola 2.0, tarifa social de energia, vale-gás e o fim da taxa das blusinhas, ajude a criar uma percepção de melhora no bem-estar econômico da população. E, consequentemente, que essa sensação positiva possa se refletir eleitoralmente nas urnas.
Ao mesmo tempo, em um cenário cada vez mais polarizado e marcado por altas rejeições, o presidente Lula enfrenta o desafio de superar a barreira ideológica e a paixão eleitoral. Hoje, esses fatores são determinantes à opinião pública e acabam pensando mais que muitos dos benefícios anunciados pelo governo.