Funkeiro MC Ryan SP deixa prisão por falta de denúncia formal

Investigação apura esquema que teria movimentado cifra bilionária usando empresas musicais, criptomoedas e plataformas de apostas clandestinas

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(Foto: Divulgação)

O funkeiro MC Ryan SP deixou a prisão nesta quinta-feira (14/05) depois que a 5ª Turma do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) concedeu habeas corpus coletivo que beneficiou quatro investigados na Operação Narco Fluxo. O funkeiro deixou o Presídio II de Mirandópolis depois que a desembargadora responsável identificou excesso de prazo na investigação conduzida pela Polícia Federal.

Segundo a decisão judicial, manter a prisão preventiva sem que o Ministério Público Federal tenha apresentado denúncia formal seria contraditório. “É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, afirmou a magistrada no documento que fundamentou a liberação.

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MC Poze do Rodo, Chrys Dias e Débora Paixão também foram beneficiados pela mesma decisão. Nenhum dos quatro investigados havia sido formalmente denunciado até o momento da concessão do habeas corpus.

Investigação apura esquema bilionário

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em 15 de abril pela Polícia Federal para desarticular organização criminosa suspeita de lavar dinheiro obtido com apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas. Conforme a PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão usando empresas de fachada e transações com criptomoedas.

O inquérito aponta MC Ryan SP como suposto “beneficiário final” da estrutura investigada. Empresas do setor musical teriam sido utilizadas para ocultar a origem ilícita dos recursos, segundo informações da Polícia Federal.

A investigação originou-se da análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, identificado como operador financeiro do esquema. Os dados foram obtidos pela PF durante operações anteriores.

Operação cumpriu dezenas de mandados

Durante a deflagração da Operação Narco Fluxo, foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. A ação resultou na apreensão de veículos, valores em espécie e equipamentos eletrônicos.

Entre os itens apreendidos, a Polícia Federal encontrou uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, conforme divulgado pela TV TEM. A operação derivou de duas investigações anteriores: Operação Narco Vela, deflagrada em abril de 2025, e Operação Narco Bet, realizada em outubro de 2025.

Leia mais: MC Poze deixa cadeia após decisão da Justiça Federal

A Polícia Federal solicitou mais 90 dias para concluir diligências e perícias necessárias ao fechamento do inquérito. A investigação segue em andamento, e os investigadores trabalham para reunir elementos que permitam ao Ministério Público Federal decidir sobre eventual apresentação de denúncia.

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