Castilho, Gylmar dos Santos Neves, Leão, Waldir Peres, Carlos, Taffarel, Dida e Julio César. O que todos eles tem em comum além do fato de terem defendido a meta da seleção brasileira? Simples, todos estiveram em pelo menos três Copas do Mundo.
Castilho e Leão foram além, disputando quatro Mundiais. No caso de Leão, poderiam ter sido cinco, mas estranhamente Telê Santana preferiu não levá-lo pra Espanha, em 82, optando pelos já citados Waldir e Carlos, além de Paulo Sérgio, do Botafogo. Difícil de entender, até porque quatro anos depois o mesmo Telê chamaria Leão para a Copa do México. Quatro anos mais velho e não mais na belíssima forma de outrora.
Mas a lembrança desses grandes goleiros de nossa história abre meu texto apenas pra ilustrar como é comum goleiros brasileiros se repetirem nos últimos 76 anos dos Mundiais. Cito de 1950 pra cá, pois nas três primeiras Copas, todas antes da Segunda Guerra, nenhum arqueiro foi chamado mais de uma vez.
E dentro dessa notória normalidade, não vejo problema algum no fato de Alisson e Ederson muito provavelmente estarem na lista final de Carlo Ancelotti, na próxima segunda-feira. Ambos já provaram em alguns dos mais fortes campeonatos do mundo que estão à altura da nossa seleção.
Ambos também tem a confiança de Taffarel, um tetracampeão mundial com 18 jogos de Copa no currículo. E que provavelmente entende pelo menos um pouquinho mais sobre o assunto do que a verdadeira legião de críticos dos dois goleiros que vemos na mídia e especialmente nas redes sociais.
Toda vez que defendo Alisson, sou aparentemente defenestrado por ouvintes e internautas no meio virtual. No caso de Alisson, especialmente pelo fato dele ter já perdido duas Copas. Como se tivesse tido grande culpa nas derrotas para Bélgica e Croácia.
E pior: como se tivéssemos por aqui goleiros muito melhores. A verdade é que sequer temos goleiros do mesmo nível. E a história recente mostra claramente isso. Hugo Souza, Rafael, Léo Jardim, Neto, Bento, Brazão, Weverton, Éverson e o veteraníssimo Fabio merecem evidentemente respeito. Mas será que algum deles tem punch pra usar a camisa 1 do Brasil numa Copa? Penso que não. Alguns deles trazem no currículo grandes defesas e títulos importantes, mas carreiras mais irregulares do que as de Alisson e Ederson.
Essa barulhenta “oposição” das redes sociais reclama dos frangos aqui ou ali dos dois preferidos de Ancelotti (e de Dorival, Diniz, Tite…), mas esquece das falhas ainda mais frequentes dos outros arqueiros citados.
E em tempos de globalização e olheiros de todos os clubes mais poderosos do planeta espalhados por todos os lados, por qual razão todos eles não foram contratados por Liverpool, City e outros? Quem tem dinheiro pra escolher o goleiro que bem entender resolveu ficar com os dois “vilões” da nossa torcida. Não com Hugo ou Léo Jardim. Mais fácil de entender, impossível.
Em tempo, não citei o palmeirense Carlos Miguel acima, pois acho que sua curta trajetória até aqui em grandes times foi um empecilho para seu nome ser lembrado no dia 18. Mas vejo no mesmo enorme potencial para estar no lugar de Alisson em 2030.
E quem eu levaria como terceiro goleiro?? Essa é fácil e por uma única e definitiva razão: penalidades máximas. Na hora do aperto, aos 14 do segundo tempo de uma eventual prorrogação, chamaria Hugo Souza no banco e o colocaria a tempo de resolver o problema nas penalidades.
Não imagino Ancelotti usando essa estratégia. Até por isso acho que Bento ainda tem maiores chances de ir pra América do Norte em junho. Mas eu jamais abriria mão do talento do corinthiano num possível drama de penalidades. Até porque se Alisson merece de fato uma crítica, é aquela que lembra que seu aproveitamento em penais é muito baixo. Essa observação é mais lúcida e razoável do que os comentários raivosos e várias vezes simplórios de muitos de nossos azedos torcedores.