A Polícia Federal apreendeu um documento interno que revela uma proposta alternativa para salvar o Banco Master — plano que foi rejeitado pelo controlador Daniel Vorcaro. O material, obtido pelo site UOL e datado de 10 de abril de 2025, mostra que o BTG Pactual assumiria a gestão da instituição financeira mediante o pagamento de uma taxa anual.
Segundo o documento, o BTG receberia 1,25% ao ano calculado sobre o valor contábil inicial dos ativos. Na prática, isso representaria até R$ 544 milhões por ano em remuneração pela gestão. O banco não se tornaria proprietário — apenas administraria os ativos.
O plano previa uma cisão parcial do Master. Os ativos seriam transferidos para uma nova instituição chamada BMI (Banco Master de Investimento), que ficaria sob gestão do BTG Pactual. Já o BRB (Banco de Brasília) assumiria o chamado “bad bank”, a parte com ativos problemáticos.
Conforme o documento, os ativos não transferidos ao BRB somavam R$ 43,5 bilhões, com passivos de R$ 33 bilhões. A diferença entre ativos e passivos seria coberta com apoio do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que integralizaria R$ 5 bilhões para cobrir os primeiros vencimentos de CDBs.
Por que Vorcaro rejeitou a proposta
Em vez de aceitar a cisão e a gestão compartilhada, Vorcaro optou por vender 100% do Banco Master ao BRB. A oferta de compra pelo banco público havia sido anunciada em 31 de março — dias antes de o controlador enviar o documento com o plano alternativo ao ex-sócio Augusto Lima.
Na mensagem que acompanhava o documento, Vorcaro pediu sigilo: “Irmão pelo amor de Deus. Não passe isso pra ninguém”. Lima respondeu: “Lógico irmão. Tá doido”. À época, Lima auxiliava na articulação junto ao Banco Central.
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Operação Compliance Zero
O documento foi apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que analisou mensagens do celular de Vorcaro. Fontes que acompanharam as tratativas confirmaram ao UOL que a articulação entre Master e BTG Pactual ocorreu no início de 2025.
A defesa de Vorcaro recusou se manifestar sobre o caso. A assessoria do BTG não respondeu aos pedidos de comentário até a publicação desta reportagem.




