Carlo Ancelotti evitou cravar Neymar como titular ou reserva da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, mas deixou claro que a convocação do camisa 10 passa pela necessidade de aproveitar ao máximo suas qualidades durante o tempo em que estiver em campo. A declaração foi dada durante entrevista do treinador italiano após o anúncio dos 26 nomes que irão para a disputa do Mundial.
O técnico comentou o tema ao responder questionamentos sobre a escolha do atacante do Santos para a lista final. Durante as perguntas, um jornalista comparou a situação entre Neymar e João Pedro. Na pergunta, foi lembrado que o camisa 10 soma apenas 15 partidas recentes no futebol brasileiro, enquanto João marcou 15 gols na Premier League [e 20 na temporada] e acabou fora da convocação.
Ao explicar a decisão, Ancelotti afirmou que a comissão técnica monitorou Neymar ao longo da temporada e viu evolução física do jogador nas últimas semanas.
“Fizemos a avaliação de Neymar ao longo do ano e vimos que nesse último período ele jogou com continuidade, melhorou a condição física”, explicou.
O técnico também destacou a experiência do atacante em grandes torneios e a importância do ambiente criado por ele dentro do elenco. “Pela experiência nesse tipo de competição, pelo carinho do grupo, pode criar um ambiente melhor e ajudar a equipe a conseguir o melhor”, falou.
Mesmo valorizando o peso de Neymar no grupo, Ancelotti evitou qualquer garantia sobre a condição do atacante na equipe titular. “Quero ser claro, limpo e honesto. Ele vai jogar se merecer jogar. Temos treino e o treino vai decidir quem vai jogar”, comentou.
Na sequência, o treinador foi questionado sobre o fato de Neymar nunca ter vivido um papel de reserva na Seleção Brasileira. A resposta, porém, indicou que o debate sobre titularidade não é o principal ponto para a comissão técnica. O italiano reforçou que a ideia é potencializar o impacto técnico do camisa 10 independentemente da quantidade de minutos em campo.
“Escolhemos Neymar não porque pensamos que vai ser um bom reserva, escolhemos porque pensamos que pode colocar suas qualidades para a equipe”, disse Ancelotti.
“Que jogue um minuto, cinco minutos, que não jogue, que jogue 90 minutos, que cobre o pênalti. Escolhemos esses jogadores porque estou certo de que vão oferecer algo a equipe. Quantos minutos? Não sei”, acrescentou.
Ancelotti também indicou que Neymar poderá atuar de maneira mais centralizada no setor ofensivo da Seleção Brasileira. “Um atacante mais centralizado”, resumiu o treinador ao comentar o posicionamento do camisa 10.
Por fim, o comandante italiano minimizou as divergências de opinião sobre a convocação de Neymar e ressaltou que o futebol permite interpretações diferentes.
“O futebol não é uma ciência exata, cada um tem sua opinião. No final, neste caso, sou eu que tenho que tomar a decisão”, concluiu.




