ONG investigada em SP tem ligação com produtora de filme de Bolsonaro

Instituto Conhecer Brasil responde por suspeita de superfaturamento em projeto de internet gratuita. Empresa divide endereço com produtora de documentário sobre Jair Bolsonaro

Por
Foto: Divulgação/Ascom
Foto: Divulgação/Ascom

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam possíveis irregularidades em contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a implantação de wi-fi gratuito em comunidades da periferia da capital. O caso envolve suspeitas de superfaturamento, direcionamento no chamamento público e atrasos na execução do projeto.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito é conduzido pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração do DPPC, após requisição do Ministério Público. A apuração investiga possíveis crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas públicas.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de acesso em até 12 meses, com conclusão prevista para junho de 2025. No entanto, até janeiro de 2026, apenas 3.200 pontos haviam sido implementados, segundo a própria Prefeitura.

Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, também atua como sócia da produtora Go Up Entertainment, envolvida na produção de um documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto audiovisual conta com participação do deputado federal Mário Frias como roteirista e produtor executivo.

As duas empresas operam no mesmo endereço comercial, na Avenida Paulista, em São Paulo, fato citado em denúncia apresentada por vereadores e dirigentes partidários e que passou a ser observado pelos investigadores.

Ministério Público aponta suspeitas no contrato

Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital confirmou a existência de um inquérito civil para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração nº 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o Instituto Conhecer Brasil.

Segundo o MP, a investigação envolve:

  • suposto direcionamento do chamamento público;
  • ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com a organização social;
  • celebração de três aditamentos contratuais em sequência, em curto intervalo de tempo;
  • e antecipação de repasses financeiros referentes a serviços ainda não implantados.

O promotor Ricardo de Barros Leonel já havia afirmado anteriormente que seria necessário aprofundar a apuração para verificar eventual ocorrência de atos de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e danos ao erário.

Prefeitura rebate associação com filme sobre Bolsonaro

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não há qualquer relação entre a contratação do Instituto Conhecer Brasil e a produção do documentário sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a administração municipal, o contrato com o ICB foi firmado em junho de 2024, enquanto a SPCine só teria sido procurada para autorização das filmagens em outubro de 2025 — mais de um ano depois.

“A Prefeitura de São Paulo repudia qualquer tentativa da imprensa de descredibilizar um serviço de extrema importância para a população por meio de relações que não existem nem nunca existiram”, afirmou a gestão municipal.

A Prefeitura também destacou que os recursos do programa foram utilizados exclusivamente na implantação dos pontos de internet gratuita e informou que os 3.200 pontos em funcionamento já registraram cerca de 760 milhões de acessos.

A administração municipal reforçou ainda que o chamamento público permaneceu aberto por 30 dias e cumpriu todas as exigências legais previstas no edital.

Aditivos e atrasos no cronograma

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia confirmou que foram assinados aditivos contratuais para prorrogar o cronograma inicial do projeto. A previsão atual é de que os 1.800 pontos restantes sejam concluídos até o fim de 2026.

Segundo a pasta, todos os questionamentos do Ministério Público foram respondidos ainda em janeiro deste ano e, até o momento, não houve novos pedidos de esclarecimento. Em relação ao inquérito da Polícia Civil, a secretaria afirmou estar em fase de envio de respostas.

Emendas parlamentares e investigação paralela

Documentos analisados pelos investigadores apontam que o deputado federal Mário Frias destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) também abriu procedimento para analisar a regularidade do contrato e dos gastos públicos relacionados ao programa de conectividade.

A investigação segue em fase de coleta de provas e oitivas de testemunhas. Dependendo do avanço das apurações, o caso pode resultar em ações por improbidade administrativa, eventual denúncia criminal e até revisão do convênio firmado pela Prefeitura.

Leia mais: Governo cria política de combate ao abuso de crianças e adolescentes

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05