A regulamentação do setor de apostas no país vem trazendo benefícios aos cofres públicos e ajudando com a destinação para outras pastas. Nesta segunda-feira (18), dados obtidos com a Receita Federal via Lei de Acesso à Informação (LAI) pela Pay4Fun, empresa de pagamentos que atua no setor, apontam que o governo federal arrecadou R$ 4,17 bilhões no primeiro trimestre de 2026 com jogos e apostas. Desse total, R$ 1,15 bilhão veio das bets — foram R$ 368 milhões em janeiro, R$ 443 milhões em fevereiro e R$ 338 milhões em março.
Deste montante de mais de R$ 1 bilhão arrecadado, R$ 12,8 milhões foram destinados ao Ministério da Saúde, para medidas de prevenção, controle e mitigação dos danos das apostas. Esporte, Turismo, Segurança Pública, Seguridade Social e Educação também foram contemplados com a destinação deste dinheiro.
Os números contemplam a cobrança de tributos, como o imposto de 12% sobre a GGR (Gross Gaming Revenue), implementado em 2025 com a sanção da lei que regulamentou as bets. Esse percentual aumentará gradualmente: passará para 13% ainda neste ano, 14% em 2027 e 15% em 2028.
Até maio deste ano, 186 empresas de apostas estavam autorizadas a operar no Brasil, de acordo com a Lei 14.790/2023, que cumpre as normas da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas).
“Os números reforçam algo que o mercado já vinha percebendo na prática: a regulamentação trouxe maturidade para o setor e transformou as apostas online em uma atividade econômica relevante para o país. Além da arrecadação bilionária, vemos um avanço importante em governança, compliance, tecnologia e geração de empregos. O desafio agora é ampliar o combate às operações ilegais, que ainda representam uma parcela significativa do mercado e prejudicam tanto a arrecadação quanto a segurança dos usuários”, comenta Thiago Garrides, CEO da Cactus Gaming.
“A arrecadação bilionária registrada no primeiro trimestre reforça que a regulamentação trouxe impactos concretos para a economia brasileira. Além de ampliar a contribuição tributária do setor, esse novo cenário fortalece a profissionalização das operações licenciadas, aumenta a segurança para os usuários e cria um ambiente mais transparente e sustentável para o mercado”, afirma Marcus Dutra, CFO da Luck.bet.
“As empresas de apostas e jogos online vêm consolidando um papel cada vez mais estratégico na economia brasileira. Além da arrecadação relevante em impostos, o setor tem contribuído para a geração de empregos, estimulado cadeias como tecnologia, serviços e marketing e ampliado investimentos no esporte e no entretenimento”, afirma Diego Bittencourt, CMO da Start Bet.
“O setor de apostas esportivas e jogos online vem se consolidando cada vez mais no país, com a criação de novos empregos, significativa arrecadação de impostos e investimentos expressivos no esporte e no entretenimento”, afirma Roberto Regianini, EVP da Reals.
Na última semana, números divulgados pelo Ministério da Fazenda, obtidos via Lei de Acesso à Informação, apontaram que a alta do setor foi de 32,6% no segundo semestre de 2025 em relação à primeira metade do ano.
Os números da Lei de Acesso à Informação apontam que as bets movimentaram mais de R$ 30 bilhões com arrecadação federal em 2025. Além disso, foram contabilizados mais de R$ 4 bilhões em impostos.
Com o mercado regulado, o desempenho do setor em tributos superou segmentos tradicionais da economia, como educação, comércio varejista e fabricação de máquinas e equipamentos.
“A regulamentação das apostas esportivas assegura a atuação de empresas idôneas do setor e gera novas chances para despertar a atenção de investidores globais”, afirma Leonardo Henrique Roscoe Bessa, consultor do Conselho Federal da OAB e sócio do Betlaw.
“A indústria de apostas no Brasil é uma realidade consolidada e demonstra impacto muito relevante para a economia nacional, em especial por conta dos valores destinados ao governo em impostos”, acrescenta Daniel Fortune, influenciador digital especialista em bets e jogo responsável.
Ainda assim, estima-se que o Brasil perca R$ 10,8 bilhões por ano ao falhar no combate ao mercado ilegal de bets, de acordo com estudo realizado pela LCA Consultores e apoiado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável).
A pesquisa aponta ainda que 61% dos entrevistados admitiram ter feito apostas em plataformas irregulares neste ano. Outros 78% consideram difícil distinguir sites legais dos ilegais, e 72% afirmam que nem sempre conseguem verificar a regularidade das plataformas.
“A regulamentação trouxe mais transparência, segurança para o usuário e previsibilidade para o mercado. O grande desafio agora é reduzir o espaço do mercado ilegal”, comenta Eduardo Biato, CSO da 1PRA1.
Apesar de não existir um número oficial, profissionais do mercado estimam que o mercado ilegal represente hoje quase 40% da indústria de apostas no Brasil. O índice é superior ao do Reino Unido, considerado um dos mercados mais estruturados do mundo, onde cerca de 13% ainda operam no mercado clandestino.
Na Alemanha, um estudo da GGL estimou que os ganhos brutos do mercado ilegal representaram até 4% do total, entre 400 e 600 milhões de euros. Já um levantamento da Universidade de Leipzig apontou que cerca de 49% das apostas online no país ocorrem em operadores sem licença.
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