Governo reage à fala de Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifas dos EUA

Palácio do Planalto divulgou uma nota criticando a participação do senador em audiência realizada nos Estados Unidos para discutir tarifas sobre produtos brasileiros.

Por , Brasília
(Foto: Ricardo Stuckert/PR e Pilar Olivares/Reuters)

O governo federal criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência pública realizada nesta terça-feira (7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O encontro discutiu a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros com base na chamada “Seção 301”, legislação americana usada para investigar práticas comerciais de outros países.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto informou que 78 pessoas e entidades participaram da audiência. Segundo o governo, 63 se manifestaram contra as tarifas e 15 foram favoráveis. Entre os 34 brasileiros inscritos, o governo afirma que Flávio Bolsonaro foi o único que não pediu o fim das tarifas, defendendo apenas o adiamento da medida. Para o Planalto, essa postura teve motivação eleitoral.

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Na nota, o governo também afirma que o senador deixou de contestar os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as cobranças sobre produtos brasileiros. O texto diz ainda que ele acabou reforçando críticas feitas pelo governo americano ao Brasil.

O Planalto também criticou a defesa feita por Flávio Bolsonaro da revogação de normas brasileiras voltadas ao combate de crimes e violência nas plataformas digitais. Além disso, a nota cita investigações financeiras envolvendo o Banco Master, menciona os descontos ilegais em benefícios do INSS e critica declarações do senador sobre o sistema de pagamentos PIX.

Segundo o governo, enquanto o senador participava da audiência em Washington, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, das Relações Exteriores, da Justiça e da Presidência da República mantinham uma reunião com técnicos do governo americano para tentar reverter as tarifas. O Planalto afirma que as negociações com os Estados Unidos acontecem desde julho de 2025, por meio de reuniões, telefonemas, cartas e encontros diplomáticos.

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A nota termina afirmando que fazer oposição ao governo é legítimo, mas que buscar apoio de outro país para pressionar o Brasil representa uma atitude contra os interesses nacionais.

Entenda o caso

A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos começou em julho de 2025, quando o governo americano abriu uma investigação com base na “Seção 301”. Essa lei permite que os Estados Unidos imponham tarifas extras a produtos de países que, na avaliação do governo americano, adotam práticas consideradas injustas no comércio internacional.

A investigação envolve, principalmente, regras brasileiras sobre plataformas digitais, proteção de dados, comércio digital e serviços financeiros. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defendem mudanças nessas normas. Já o governo federal afirma que elas garantem segurança jurídica e protegem consumidores e empresas.

Para tentar evitar prejuízos às exportações brasileiras, o governo montou uma força-tarefa com diferentes ministérios para negociar diretamente com as autoridades americanas. O objetivo é convencer os Estados Unidos a retirar as tarifas, que, segundo o Planalto, não têm justificativa técnica e podem causar prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para consumidores e importadores americanos.

Leia a nota na integra

NOTA À IMPRENSA
NOTA À IMPRENSA SOBRE PARTICIPAÇÃO DO SENADOR FLÁVIO BOLSONARO EM AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A SEÇÃO 301
O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil. Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.
Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. _Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.
O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. _Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes. Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.
Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro.
Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.
Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.
O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.
Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.
Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.

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