A prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, detida sob suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), virou munição política para parlamentares de oposição atacarem o governo federal. Políticos de direita exploraram nas redes sociais o fato de ela ter apoiado publicamente a eleição do petista em 2022.
Segundo publicações de parlamentares do União Brasil, PL e Novo, a influenciadora gravou conteúdos ao lado do chefe do Executivo durante a disputa eleitoral. O vereador paulistano Rubinho Nunes (União Brasil) ironizou a situação ao mencionar o bloqueio de R$ 27 milhões na operação policial.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também usou o caso para criticar o governo. “Esquece, a mãe tá algemada! Essa é a mesma turma que quer acabar com o dinheiro vivo”, publicou a parlamentar, emendando: “Cada dia fica mais escancarado o motivo pelo qual o Lula não quer classificar o PCC e o CV como organizações terroristas”.
Partido Novo amplia associação
O empresário Eduardo Ribeiro, dirigente nacional do Partido Novo, foi além. Ele listou outros influenciadores investigados por ligações com o crime organizado que também manifestaram apoio ao petista. “Dono da Choquei, MC Ryan, Poze do Rodo, Deolane… Todos investigados por ligações ao crime organizado. Todos apoiadores de Lula. Você acha que é coincidência?”, questionou.
O ex-deputado federal Deltan Dalagnol (NOVO-PR), pré-candidato ao Senado, detalhou a investigação. Conforme o jurista, o esquema envolvia uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau controlada pela facção criminosa. “Receber uma fortuna de laranja que ganha salário mínimo deve ser a nova modalidade de justiça social”, ironizou.
Bolsonaristas intensificam críticas
O ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) também entrou no debate. Ele questionou “o que farão diante de mais um escândalo absurdo envolvendo Lula?”, referindo-se ao apoio público da influenciadora durante a campanha.
A operação policial que resultou na detenção da advogada investiga movimentações financeiras suspeitas. Segundo as autoridades, o dinheiro bloqueado teria origem em atividades ilícitas ligadas à facção.
Contexto político
A prisão ocorreu numa quinta-feira e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. Parlamentares de oposição aproveitaram o caso para renovar cobranças ao Executivo sobre medidas mais duras contra o crime organizado.
A discussão sobre classificar facções como grupos terroristas é antiga no Congresso Nacional. Defensores da medida argumentam que isso facilitaria investigações e punições. Críticos alertam para riscos de criminalização de movimentos sociais e ampliação excessiva de poderes policiais.
O governo federal ainda não se pronunciou sobre as críticas da oposição relacionadas ao caso da influenciadora.



