Chuveiro elétrico privativo, cela recém-pintada e refeição servida aos policiais penais. Esse foi o tratamento recebido por Deolane Bezerra na Penitenciária Feminina de Santana, segundo denúncia do Sindicato dos Policiais Penais (Sinppenal). A advogada e influenciadora digital, investigada por lavagem de dinheiro com suposta ligação ao PCC, ficou na unidade por cerca de 14 horas antes de ser transferida.
O sindicato encaminhou um ofício relatando os privilégios após receber áudios e mensagens de policiais penais que acompanharam a chegada de Deolane. Segundo o Sinppenal, o alojamento usado normalmente para detentas que aguardam consultas médicas foi reformado e pintado especialmente para ela. Uma cama com estrado, colchão, lençol e travesseiro foram instalados no local — enquanto as demais presas dormem em camas de concreto.
O que dizem os policiais penais
De acordo com relatos repassados ao sindicato, Deolane também teve acesso a um chuveiro quente exclusivo. As outras detentas usam chuveiros coletivos com água fria. Além disso, segundo os policiais ouvidos pelo site G1, ela teria se alimentado com a refeição destinada aos agentes — polenta, arroz, feijão, salada e carne de porco — enquanto as presas receberam carne moída.
O presidente do Sinppenal, Fábio Jabá, afirmou em nota que esse tipo de situação levanta preocupações quanto à legalidade do tratamento dado a uma detenta suspeita de ligação com o crime organizado. Jabá declarou ainda que ninguém se beneficia com esse tipo de regalia.
Os policiais penais relataram também que foram impedidos de entrar no local onde Deolane estava e que o diretor da unidade a recebeu pessoalmente.
O que diz a SAP
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou, em nota ao site G1, que a alocação de Deolane seguiu determinação judicial. Segundo a secretaria, o Poder Judiciário reconheceu que ela possui registro ativo como advogada. A SAP afirmou que sua atuação se limitou ao cumprimento do dever legal e das ordens judiciais.
A Comissão de Prerrogativas da OAB-SP confirmou que existe previsão legal no Estatuto da Advocacia para que advogados presos preventivamente sejam recolhidos em sala de Estado-Maior ou, na ausência, em local equivalente, separado dos presos comuns. A comissão informou que acompanha o caso no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais previstas em lei.
Transferência e situação atual
Deolane chegou à Penitenciária de Santana às 15h20 de quinta-feira (21). Pouco mais de 14 horas depois, às 5h20 de sexta (22), foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, unidade localizada a cerca de 670 km de São Paulo. A unidade tem capacidade para 714 detentas, mas abriga atualmente 873 — 22% acima do limite.
O Sinppenal pediu a abertura de procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos, além do encaminhamento do caso à Corregedoria da Polícia Penal e ao Ministério Público.
A defesa de Deolane alega que ela é inocente e entrou com pedido de prisão domiciliar na audiência de custódia, citando que ela tem um filho de 9 anos sob seus cuidados. Segundo o G1, a defesa não comentou as denúncias do sindicato.




