Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Terrorismo à brasileira: PCC, CV e o que muda no jogo eleitoral

Decisão dos EUA recoloca segurança pública no centro do debate político-eleitoral e abre nova frente de disputa entre o governo Lula e a oposição

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Foto: Alex Silva/Arquivo/Estadão Conteúdo
Foto: Alex Silva/Arquivo/Estadão Conteúdo

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas recoloca a segurança pública no centro da agenda política brasileira. Historicamente, trata-se de um terreno mais favorável à oposição de direita e que, neste momento, beneficia especialmente o senador Flávio Bolsonaro, sobretudo após a repercussão de sua reunião com Marco Rubio.

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O anúncio norte-americano também ajuda a reorganizar, ao menos temporariamente, o ambiente político em torno do senador após dias de desgaste provocados pela repercussão de sua relação com Daniel Vorcaro. Salvo o surgimento imediato de novos fatos, a tendência é que o debate sobre segurança pública reduza momentaneamente a pressão sobre Flávio e reoriente parte da atenção pública para o enfrentamento ao crime organizado.

No Palácio do Planalto, a tendência é de reforço da narrativa de soberania nacional, especialmente caso o governo avalie que há tentativa de influência externa sobre o debate político brasileiro. Nesse contexto, a PEC da Segurança Pública pode voltar a ganhar prioridade dentro da estratégia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, evitando que o tema permaneça integralmente sob domínio da oposição.

A disputa, porém, tende a ser menos sobre os fatos em si e mais sobre a capacidade de comunicação de cada campo político. Flávio Bolsonaro possui vantagem natural no debate sobre segurança pública, enquanto Lula costuma performar melhor quando desloca a discussão para soberania nacional e defesa institucional do país. Nas próximas semanas — e, sobretudo, ao longo da campanha eleitoral — a eficácia dessas narrativas poderá ser mais determinante do que o episódio em si.

O tema, contudo, é delicado para ambos os lados. Caso o governo erre no tom da resposta, poderá enfrentar desgaste pela percepção de estar relativizando ou “protegendo” organizações criminosas. Por outro lado, Flávio Bolsonaro também não atravessa esse debate sem riscos.

As relações pessoais e financeiras do senador com Daniel Vorcaro, ainda recentes no debate público e cercadas de pontas soltas, podem voltar ao centro das discussões. O dono do Banco Master aparece vinculado à Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investigação que apura o uso de uma gestora ligada ao PCC para operações financeiras e simulações de compra de instituições bancárias.

Nesse ambiente, adversários poderão explorar a construção de uma narrativa associando o filho “01” do ex-presidente a personagens ligados a um universo agora enquadrado pelos Estados Unidos sob a classificação de terrorismo.

Apesar do potencial político e simbólico do episódio, o impacto eleitoral prático tende a ser limitado. Em um cenário de polarização consolidada, há poucos eleitores efetivamente disponíveis para mudança de posicionamento. O efeito mais relevante, portanto, deverá ocorrer no campo narrativo — e não necessariamente nas intenções de voto.

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