Com 98% das urnas apuradas neste domingo (31/05) o candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella lidera a eleição presidencial da Colômbia com 43,7% dos votos. O esquerdista Ivan Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, aparece em segundo lugar com 40,90%. A diferença é de apenas 2,2 pontos percentuais.
Agora, a Colômbia vai para um segundo turno marcado para o dia 21 de junho.
Quem disputa o poder
Três nomes concentraram as atenções. De la Espriella representa a ala ultradireitista e promete construir 10 megapresídios e enfrentar o crime com ofensiva militar. Em declaração divulgada durante a campanha, ele afirmou: “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei.”
Cepeda lidera o campo progressista e conta com o respaldo do Pacto Histórico, partido de Petro. A senadora conservadora Paloma Valencia completava o trio de favoritos, representando o centro-direita.
A eleição define o sucessor de Petro, que está no poder desde 2022 e não pode concorrer à reeleição.
Segurança no centro do debate
A violência domina a pauta eleitoral. Segundo pesquisa do Instituto Invamer divulgada este mês, 40% dos colombianos apontam a segurança pública como principal preocupação. O desemprego e a economia aparecem apenas em quarto lugar, com 11%.
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O cenário ficou ainda mais tenso três dias antes do pleito. Um confronto entre duas facções rivais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — guerrilha surgida na década de 1960 — deixou 52 rebeldes mortos na Amazônia colombiana na quinta-feira 28 de maio. O grupo assinou acordo de paz com o Estado em 2016, mas dissidências seguem ativas.
Contexto e legado de Petro
Durante a pré-campanha de 2025, Miguel Uribe, um dos principais nomes cotados para a disputa morreu após ser baleado em um discurso em Bogotá.
O governo Petro encerrou seu mandato com resultados econômicos mistos. O salário mínimo nominal subiu 75% e o desemprego recuou no período. Ainda assim, a insegurança e o conflito armado — que ao longo de cinco décadas custou mais de 250 mil vidas — seguem como marcas do país.
A Colômbia também enfrenta tensão na fronteira com o Equador, que conduz operações militares na região. O próximo presidente herdará esse conjunto de desafios, além de uma relação a ser definida com os governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, e Nayib Bukele, em El Salvador — ambos referências para o campo conservador colombiano.




