A Raízen tornou pública, nesta quarta-feira (03/06), a minuta do seu Plano de Recuperação Extrajudicial. O documento detalha como a companhia pretende reorganizar suas dívidas e seus negócios para superar a crise financeira.
O plano divide a dívida reestruturada em duas partes. Segundo o fato relevante divulgado pela empresa, 45% do total será convertido em ações da Raízen. Os outros 55% darão origem a novos instrumentos de dívida para os credores.
Para viabilizar a operação, a Shell vai injetar R$ 3,5 bilhões na companhia. Além disso, a Aguassanta Investimentos pode contribuir com até R$ 500 milhões adicionais, conforme previsto no plano.
A operação, porém, tem uma condição: a Raízen precisa fechar um acordo tributário com o governo federal antes de concluir a reestruturação. A expectativa da empresa é concluir a reestruturação até março de 2027.
O plano ainda será submetido à aprovação dos credores. Debenturistas e titulares de CRA — os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, papéis lastreados em operações do setor — vão votar o documento em assembleias específicas.
Outra peça central do plano é a divisão das operações da Raízen. A companhia prevê separar a área de energia da área de distribuição de combustíveis. Para o segmento de energia, será elaborado um plano de venda de ativos da Raízen Energia. Para o lado de combustíveis, a empresa buscará um investidor externo.
A segregação dos negócios deve ser concluída até dezembro de 2027, segundo o fato relevante.
Nova governança
A reestruturação também muda o comando da empresa. O conselho de administração passará a ter sete membros no total. Desse grupo, quatro serão indicados pelos credores que apoiam o plano. Os outros três serão escolhidos pelos acionistas que contribuírem com o processo.
A Cosan, sócia da Shell na Raízen, é uma das partes envolvidas na operação, conforme informações da Agência iNFRA. As ações ordinárias da companhia são cotadas a R$ 0,25, segundo dados divulgados junto ao plano.




