Após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugerir com exclusividade na entrevista à TMC que o Brasil poderia colocar o Pix na mesa de negociações com os Estados Unidos, as buscas no país pelo eventual substituto Zelle, sistema de transferências usado por americanos, cresceram nas redes sociais.
A declaração do político foi dada em meio à pressão de Washington sobre o sistema de pagamentos brasileiro. Os EUA indicaram uma possível taxação de 25% ao Brasil, com base em investigação que aponta o Pix como concorrência desleal ao mercado financeiro norte-americano.
O que é o Zelle?
Criado em 2016, o Zelle é um serviço de transferências digitais voltado ao público dos EUA. Diferente do Pix, ele não é uma infraestrutura pública: funciona dentro dos aplicativos de bancos privados, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
A plataforma é gerida pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes instituições financeiras americanas. Para usar o Zelle, é preciso ter conta em um banco participante nos EUA — o que exclui, na prática, qualquer brasileiro sem vínculo com o sistema financeiro americano.
Como o Pix se diferencia
O Banco Central do Brasil lançou o Pix em 2020. Desde então, ele se tornou o principal meio de pagamento do país. Opera 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados — algo que o Zelle não oferece da mesma forma.
Ao contrário do Zelle, o Pix é uma ferramenta pública e centralizada. Qualquer pessoa com conta em banco ou fintech no Brasil pode usá-lo, sem depender de uma instituição específica.
Na prática, comparar os dois sistemas é como comparar uma rodovia federal com uma estrada privada: um é aberto a todos, o outro depende de quem você é cliente.
Adeus, Pix?
Na entrevista exclusiva concedida à TMC, Eduardo Bolsonaro falou sobre as negociações e tarifas envolvendo Brasil e Estados Unidos. Ele citou o sistema de pagamento americano como um meio “similar” ao brasileiro. “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse Eduardo.
O filho do ex-presidente chegou a sugerir que o Brasil aceitasse o pleito americano contra o Pix. “Dá botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui“, completou.




