Da guerra comercial de Trump ao cenário atual: veja a cronologia do Tarifaço

Como o embate alfandegário entre Washington, Pequim, Europa e América Latina redesenhou as cadeias de suprimentos e o que muda com as decisões mais recentes

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Donald Trump
REUTERS/Ken Cedeno

Na noite de quarta-feira (15/07), o governo de Donald Trump oficializou a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A decisão é o resultado de uma agressiva investigação de mercado conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O anúncio gerou fortes reações em Brasília. Na manhã desta quinta-feira, (16/07), o governo brasileiro classificou a medida como um “marco lastimável” nas relações diplomáticas e prometeu retaliar os EUA aplicando a chamada Lei de Reciprocidade para taxar produtos norte-americanos na mesma proporção.

2025: o ano do impacto inicial e a ofensiva multilateral

O início de 2025 foi marcado pela rápida canetada da Casa Branca, apelidada de “Dia da Libertação”, cujo objetivo declarado era reduzir o déficit comercial americano e forçar concessões de outros países.

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Fevereiro de 2025: o alvo nos vizinhos e na China

  • Início do tarifaço: os EUA impõem uma tarifa adicional de 10% sobre a China e 25% sobre o México e o Canadá. O pretexto inicial envolve o controle de fronteiras, imigração e o fluxo de fentanil;
  • A retaliação: Pequim responde imediatamente aplicando sobretaxas equivalentes aos produtos norte-americanos.

Março de 2025: o setor automotivo sob ataque

  • Automóveis na mira: Trump amplia as medidas e anuncia tarifas de 25% sobre carros importados e autopeças. O mercado automobilístico global entra em pânico com a desorganização das cadeias de suprimentos integradas norte-americanas (especialmente na fronteira com o México).

Abril de 2025: o pacote de “tarifas recíprocas”

  • A taxa universal de 10%: em 2 de abril de 2025, os EUA anunciam um pacote de tarifas que impõe uma taxa global de 10% sobre importações de todos os países, com raras isenções temporárias;
  • A escalada máxima com a China: após retaliações chinesas, Trump eleva as tarifas contra a China para patamares históricos, aplicando uma sobretaxa adicional de 84% que levou o acumulado a mais de 100% sobre diversos itens chineses;
  • Trégua de 90 dias: para evitar o desabastecimento imediato, a Casa Branca concede uma pausa de 90 dias para nações que aceitassem negociar termos favoráveis de comércio aos norte-americanos.

Julho de 2025: o foco no Brasil e ruídos políticos

  • Tarifa de 50%: em julho de 2025, Trump faz críticas abertas ao governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva e à condução do cenário político interno no Brasil. Como retaliação política e comercial, anuncia tarifas de 50% sobre as importações de produtos brasileiros a partir de agosto. O Brasil reage acionando diplomatas e projetando retaliações via Lei de Reciprocidade.

2026: batalhas judiciais, revisões e novas investigações

Se 2025 foi o ano da imposição tarifária abrupta, 2026 consolidou-se como o ano do rearranjo jurídico, das brechas e do pragmatismo inflacionário.

[Fev 2026] Suprema Corte derruba tarifa de 10% │
[Jun 2026] Nova investigação (Sec. 301) foca em barreiras tecnológicas/etanol │
[Jul 2026] Anúncio de sobretaxa de 25% com volumosa lista de isenções

20 de Fevereiro de 2026: a Suprema Corte dos EUA intervém

  • A queda da tarifa de 10%: a Suprema Corte norte-americana julga inconstitucional a tarifa global de 10% aplicada em 2025. Os juízes determinam que a lei utilizada (IEEPA – Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) não amparava legalmente aquele tipo de barreira alfandegária generalizada;
  • A resposta de Trump: o presidente restabelece temporariamente a tarifa de 10% sob outro artifício legal, com validade prevista até o final de julho de 2026.

Junho de 2026: o foco na tecnologia e Seção 301

  • Muda a estratégia: sabendo das limitações da tarifa de 10% generalizada, o governo dos EUA passa a usar investigações específicas sob a Seção 301 da Lei de Comércio para atingir parceiros individualmente;
  • O Brasil entra na mira devido a questões tecnológicas (alegando que o sistema Pix discrimina bandeiras estrangeiras) e barreiras impostas ao etanol americano.

Leia mais: Novo tarifaço tem taxas de 25% contra produtos do Brasil

Leia mais: Lula não negociou de boa-fé e colocou ego acima do acordo, diz secretário dos EUA

Leia mais: Governo Lula vai aplicar Lei da Reciprocidade contra tarifas de Trump

Julho de 2026 (o cenário atual)

  • 15 de Julho de 2026: no encerramento dos prazos de investigação, os EUA confirmam as tarifas adicionais de 25%, mas o fazem de forma cirúrgica. Para conter a persistente inflação interna nos EUA, o USTR divulga extensas listas de isenções;
  • O alívio para as commodities: produtos essenciais como café, carne e suco de laranja (no caso do Brasil) e minerais estratégicos de diversos países da América Latina são poupados da nova rodada de tarifas.

Tabela comparativa: as alíquotas do tarifaço por região (2025 – 2026)

Região / PaísTarifa Média (Pico de 2025)Status Atual (Julho de 2026)Foco Principal do Embate
China100%+ em itens selecionadosMantida em patamar elevadoAlta tecnologia, semicondutores e veículos elétricos.
México & Canadá25% (Automóveis)Em renegociação (Acordo USMCA)Cadeia automotiva, regras de origem e imigração.
União Europeia20% em produtos industriaisNegociações bilaterais de tréguaRetaliação sobre desequilíbrios comerciais e subsídios verdes.
Brasil50% (Geral) / 25% (Sec. 301)25% em vigor dia 22/07 (com isenções)Etanol, sistema Pix, calçados e aço.

O que esperar para o segundo semestre de 2026?

O tarifaço gerou bilhões de dólares em receitas mensais para o Tesouro americano. No entanto, economistas de todo o mundo alertam que a manutenção dessa postura protecionista pode desacelerar o PIB global no médio prazo.

A grande dúvida para o restante de 2026 reside nas eleições presidenciais norte-americanas de meio de mandato (midterms). Uma escalada drástica de tarifas contra a Europa e a China pode prejudicar as pretensões governistas se a inflação doméstica voltar a subir, forçando novos acordos de trégua no comércio internacional.

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