Qual o impacto ambiental se o Brasil levar o Hexa? Confira o cenário mais sustentável para o fim da Copa

Caso a seleção brasileira consiga levantar a taça pela 6ª vez, os jogadores terão viajado 26 mil quilômetros, o equivalente a cruzar o Brasil seis vezes, do Monte Caburaí, em Roraima, ao Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul

Por Renan Honorato | Atualizado em
(FOTO: Imagem produzida com Inteligência Artificial)

*Colaborou Felipe Mendes

Em 2026, a Copa do Mundo pode entrar para o livro dos recordes, seja por um volume histórico de turistas ou pelo número de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Especificamente, a edição de 2026 será aquela com a maior emissão de gás carbônico (CO₂) da história.

Serão emitidas mais de 24 milhões de toneladas de gases na atmosfera durante os 40 dias do Mundial de futebol masculino. Segundo o doutor em engenharia de transportes pela UFRJ e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rodrigo Tóffano, um membro da equipe da Fifa — seja na arbitragem ou nas seleções — tem um impacto individual maior que os turistas.

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“Se a gente pegar, por exemplo, um árbitro que vai apitar as partidas em diferentes locais, desde a fase de grupos até a final, ele terá se deslocado mais. Esse acúmulo, quando a gente trabalha individualmente, acaba gerando um impacto maior”, afirma Tóffano.

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A pedido da TMC, o especialista, que possui um histórico de pesquisa sobre o impacto da FIFA no meio ambiente, fez análises exclusivas sobre as seleções favoritas para levantar a taça do Mundial. Confira a seguir.

Qual a seleção favorita para ganhar a Copa do Mundo?

Caso o Brasil consiga levantar a taça de futebol masculino pela 6ª vez, esse não seria o pior cenário ambiental. Ao todo, a Seleção terá viajado, aproximadamente, 26 mil quilômetros, o que equivale a cruzar o território brasileiro seis vezes, saindo do Monte Caburaí, em Roraima, até o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul.

A principal justificativa é o planejamento da Seleção para usar menos o transporte aéreo — modalidade com o maior impacto negativo ao meio ambiente.

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“Basicamente, quando uma seleção tem uma emissão menor que a outra, é porque essa cidade-base foi escolhida de forma estratégica para reduzir esses deslocamentos”, explica Tóffano.

O melhor cenário absoluto entre as cinco seleções favoritas ocorreria se a França fosse tricampeã se classificando em 1º lugar no grupo.

Já o pior cenário absoluto seria se a Alemanha terminasse em 3º lugar. Essa projeção representa o maior volume de emissões registrado em todo o levantamento, devido ao longo deslocamento logístico previsto para os jogos eliminatórios.

“Quanto maior o volume de deslocamentos de transporte aéreo dentro dos Estados Unidos, México ou Canadá, maior será o número de emissões. [Alemanha e França] se deslocam por muito mais tempo. Em razão disso, temos emissões maiores, mesmo com a proximidade desses países na América do Norte”, explica o cientista.

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A Espanha, curiosamente, detém tanto o melhor cenário para o 2º e 3º lugares quanto o pior cenário para o 1º lugar. O dado indica que sua logística de viagens é altamente sensível à posição final na fase de grupos.

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Para todos os cálculos, foram considerados como pontos de partida os respectivos aeroportos internacionais de cada país; no caso do Brasil, o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão (Antônio Carlos Jobim). Além disso, o pesquisador utilizou o relatório de gases de efeito estufa do Reino Unido como tabela de referência.

Para a métrica, foi desconsiderado todo o impacto da hotelaria, contabilizando-se apenas a pegada gerada pelo transporte, seja ele aéreo ou rodoviário.

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