O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou, no último fim de semana, a primeira operação de corte de geração do tipo 3 já feita no Brasil. A ação foi necessária porque a carga elétrica prevista para o domingo ficou muito abaixo do normal. O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, avaliou positivamente o resultado durante o evento LawInfra, em Brasília, nesta segunda-feira (08/06).
Segundo Rea, fins de semana costumam registrar demanda entre 40 GW e 50 GW. No domingo, a previsão era de apenas 27 GW a 30 GW — uma queda expressiva. Para evitar que o excesso de energia sobrecarregasse o sistema, o ONS emitiu um comando para que as distribuidoras segurassem a geração das usinas tipo 3.
Usinas do tipo 3 são conectadas à rede de distribuição, não à rede de transmissão. Por isso, o ONS não as monitora diretamente. Na prática, o operador não enxerga essa energia e precisa acionar as distribuidoras para executar qualquer corte.
Foi exatamente isso que aconteceu no domingo. Conforme declarou Rea, o ONS pediu às distribuidoras que segurassem a geração para ela não entrar no sistema. Ele descreveu a ação como um teste e afirmou que tudo correu bem — mas ressaltou a dependência das distribuidoras como um ponto de atenção.
Leia mais: Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 5,11% este ano
Crise de potência e próximos passos
Além da operação de fim de semana, Rea abordou a chamada crise de potência no setor elétrico brasileiro. Segundo ele, a homologação dos resultados do LRCAP 2026 — leilão de reserva de capacidade — é necessária para avançar na solução do problema. O diretor, porém, avaliou que o volume contratado nesse leilão não é ainda o ideal.
Para reduzir o risco de novas crises, Rea defendeu que o Brasil realize leilões de potência todos os anos.




