TSE suspende pesquisa que mostrou recuo de Flávio Bolsonaro

Ministro Kassio Nunes Marques identificou indícios de que o questionário da AtlasIntel foi estruturado para contaminar respostas sobre o senador

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Antônio Augusto/STF)

O ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel que registrou recuo nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão individual será submetida ao plenário da corte nesta terça-feira (09/06) para referendo, ou seja, os demais ministros vão confirmar ou revogar a medida.

O levantamento ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Os resultados apontaram recuo de 5 pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL. A divulgação ocorreu após o vazamento de um áudio em que o senador aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.

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O PL levou o caso ao TSE com a alegação de que o questionário foi montado para produzir respostas desfavoráveis ao senador. Das 49 perguntas do formulário, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em bloco, antes das questões sobre intenção de voto.

Nunes Marques acolheu o argumento. Em sua decisão, o ministro afirmou que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.

O ministro também escreveu que “essa cadeia produz contexto, não mera medição” e que o formato adotado “pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”.

Na prática, o argumento é que perguntas negativas sobre o Banco Master, feitas antes da pergunta sobre voto, poderiam influenciar a resposta do entrevistado, funcionando como propaganda contra o senador disfarçada de pesquisa.

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Tramitação e próximos passos

A ação contra a AtlasIntel chegou ao gabinete de Nunes Marques em 19 de maio. Em 22 de maio, uma portaria formalizou a designação do ministro e do vice-presidente do TSE, André Mendonça, como juízes auxiliares para as eleições de 2026. Nessa mesma data, o processo foi redistribuído. Em 25 de maio, um novo sorteio manteve o caso sob relatoria de Nunes Marques.

O ministro também assumiu a relatoria de outros dois processos ligados a Flávio Bolsonaro: um sobre o Banco Master e outro relacionado ao filme Dark Horse. Segundo o TSE, outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com estrutura semelhante.

O instituto terá de enviar ao tribunal documentação técnica sobre a regularidade da metodologia. O Ministério Público Eleitoral também vai se manifestar no processo antes do julgamento pelo plenário.

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