Câmara reescreve lei da misoginia e amplia punições

Grupo de trabalho presidido por Tabata Amaral (PSB-SP) detalha condutas puníveis e inclui suspensão de perfis em redes sociais antes de inquérito

Por Redação TMC | Atualizado em
A deputada Tabata Amaral
(Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
Resumo
  • Grupo de trabalho da Câmara apresentou novo texto para o projeto de lei da misoginia nesta quarta-feira (10)
  • Definição aprovada pelo Senado foi substituída por lista específica de condutas puníveis
  • Penas podem dobrar em casos de violência doméstica ou quando autor tem grande audiência pública
  • Votação no colegiado está prevista para a próxima semana; plenário pode analisar o texto antes do recesso

Um novo texto para o projeto de lei que criminaliza a misoginia foi apresentado nesta quarta-feira (10/06) pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidenta e relatora do grupo de trabalho criado pela Câmara dos Deputados. A proposta reformula a definição aprovada pelo Senado Federal em março de 2026 e acrescenta mecanismos de punição para crimes cometidos na internet.

O Senado havia definido misoginia como “conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. O grupo de trabalho da Câmara optou por uma redação mais detalhada. Segundo o novo texto, o crime consiste em “a prática, a indução ou a incitação de menosprezo ou discriminação contra a mulher, que promova violência, negue sua igualdade de direitos ou ofenda sua dignidade, em razão da condição de mulher”. Em resumo, a mudança sai de uma definição aberta para uma lista de condutas específicas.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

A pena prevista é de dois a cinco anos de detenção, mais um a três anos de multa. Mas o texto estabelece agravantes que podem elevar esse patamar. A punição sobe pela metade quando o crime é cometido por duas ou mais pessoas ou quando a vítima é criança, adolescente, idosa ou pessoa com deficiência. Já nos casos em que o autor busca vantagem econômica ou tem expressiva audiência pública, a pena pode aumentar de metade até o dobro. Crimes praticados em contexto de violência doméstica e familiar serão punidos com pena em dobro.

Suspensão de perfis antes do inquérito

Um dos pontos mais debatidos é o mecanismo para crimes cometidos em redes sociais. O novo texto prevê a possibilidade de suspensão de perfis digitais antes mesmo da abertura de um inquérito policial. Na prática, isso significa que uma conta pode ser bloqueada em fase anterior à investigação formal, o que representa uma mudança em relação ao rito processual habitual.

A proposta também enfrenta resistência. A deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou nas redes sociais que o texto gera “divisão e ódio entre homens e mulheres”. Por outro lado, a deputada Dandara Tonantzin (PT-MG) disse que a proposta deve ter prioridade na agenda legislativa, pois “muda a cultura de tolerância à violência de gênero e fortalece a proteção penal às mulheres”.

Caminho até o plenário

O projeto chegou à Câmara após aprovação unânime no Senado, com 67 votos favoráveis entre os 81 senadores, sem nenhum contrário. Desde o início da tramitação na Câmara, a proposta gerou desavenças, puxadas por parlamentares bolsonaristas.

No fim de abril, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a aprovação do projeto e designou Tabata Amaral para elaborar a nova versão. Em 25 de maio, mulheres protestaram em frente ao Masp, em São Paulo, pedindo mais velocidade na tramitação do projeto, identificado como PL 896/23.

O texto será votado pelos deputados integrantes do colegiado na próxima semana. Se aprovado, poderá ser analisado diretamente pelo plenário.

Leia mais: CCJ do Senado aprova aposentadoria especial para agentes de saúde

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05