A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) e o Departamento de Segurança Interna emitiram um alerta conjunto direcionado a influenciadores digitais estrangeiros. A mensagem é direta: quem gera renda a partir de conteúdo produzido em solo americano está exercendo atividade profissional, não turismo.
O comunicado foi enviado ao jornal espanhol El País a poucas horas do início da Copa do Mundo da Fifa, evento que deve atrair criadores de conteúdo de todo o mundo aos Estados Unidos.
O que diz o alerta
Segundo a nota conjunta das duas agências federais, “Entrar nos Estados Unidos com o único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda a partir dos Estados Unidos enquanto estiver no país é considerado trabalho e exige o visto apropriado”. O texto acrescenta que “pessoas que entram nos Estados Unidos por meio de programas de visitação e recebem renda de uma fonte americana estariam violando as condições de sua admissão”.
O visto B-2, categoria destinada a turistas, cobre atividades como lazer, visitas familiares e tratamento médico. Ele não autoriza qualquer forma de trabalho remunerado. Quem descumpre essa regra fica sujeito a cancelamento do visto, deportação e impedimento de retornar ao país.
Fiscalização e alternativas
A gestão Trump planeja intensificar o controle em aeroportos e postos de fronteira para identificar criadores estrangeiros que atuam profissionalmente com documentação inadequada. O objetivo declarado, segundo fonte do governo americano ouvida pelo El País, é proteger empregos americanos.
A mesma fonte afirmou que os próprios influenciadores facilitam a identificação: “Eles mesmos se denunciam por meio dos vídeos”, disse.
Para quem deseja trabalhar legalmente nos EUA como criador de conteúdo, a alternativa é o visto O-1. Essa categoria é voltada a profissionais com habilidades reconhecidas em áreas como artes, esportes, ciência e negócios. Com ele, é possível firmar contratos com marcas, participar de campanhas publicitárias e produzir material comercial.
Contexto de restrições
O alerta surge em um momento de endurecimento geral das políticas de imigração nos EUA. Nas semanas anteriores à divulgação, torcedores do Irã foram impedidos de entrar no país para acompanhar jogos da Copa do Mundo. Um árbitro de origem somali também foi deportado, acusado de vínculos com grupos terroristas.
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