Alimentos pressionam IPCA em maio e taxa em 12 meses vai acima do teto da meta

Pressionada principalmente por alimentação, habitação e saúde, inflação registrou alta de 0,58% no mês e segue acima do teto da meta estabelecida pelo governo

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

 A inflação no Brasil desacelerou um pouco menos do que o esperado em maio sob pressão dos alimentos, mas a taxa em 12 meses ficou bem acima da expectativa a poucos dias de nova reunião de política monetária do Banco Central.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,58% em maio, depois de subir 0,67% em abril, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%.

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Os dados divulgados nesta sexta-feira (12/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que a taxa acumulada em 12 meses alcançou 4,72% em maio, de 4,39% em abril e contra expectativa de 4,66%.

Assim, a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O Banco Central se reúne na próxima semana depois de ter reduzido a Selic a 14,5% em abril e pregado cautela para os próximos passos diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

Além dos choques dos preços do petróleo, questões climáticas ainda estão no radar para a inflação.

O grupo alimentos e bebidas respondeu pela metade do resultado do IPCA de maio, com alta de 1,33%, segundo o IBGE. A alimentação no domicílio subiu 1,65% no mês, com influência dos avanços da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%).

“A alta de alimentos se deu por conta da menor oferta de produtos e também pelo frete, que mesmo com o combustível mais barato continuou subindo em maio”, disse o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.

Já o grupo habitação teve alta de 1,22% com os custos da energia elétrica residencial subindo 3,67% e marcando o principal impacto individual no índice.

Em maio, as contas de energia tiveram a bandeira tarifária amarela, com custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Também se destacou a alta de 0,90% em saúde e cuidados pessoais, sob peso dos artigos de higiene pessoal (1,95%) e do plano de saúde (0,50%).

Por outro lado, os transportes apresentaram queda de 0,46% em maio com recuo de 1,95% nos preços dos combustíveis. Os custos do etanol caíram 6,20%, os do óleo diesel recuaram 2,34% e a gasolina teve queda de 1,46%.

Em meio aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o petróleo, o governo anunciou em meados de maio medida provisória com novas ações para reduzir a pressão do conflito sobre os combustíveis no Brasil.

A Petrobras PETR4.SA anunciou no fim de maio aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras em R$0,48 por litro, o que será aliviado com a oferta de um desconto de R$0,44 por litro por conta da subvenção econômica instituída pelo governo federal.

A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a alta a 0,40% em maio, de avanço de 0,04% em abril, chegando a 5,97% em 12 meses. A passagem aérea passou de uma queda de 14,45 para alta de 3,20%.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, repetiu em maio a taxa de 65% do mês anterior.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,11% em 2026, indo a 4,03% em 2027. A Selic no final deste ano foi calculada em 13,50%.

Por Reuters

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