Paquistão diz que EUA e Irã assinarão acordo em 24 horas

Shehbaz Sharif afirma que documento será assinado eletronicamente; negociações técnicas ficam para a próxima semana

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Ilustração com bandeiras dos EUA e Irã
(Foto: Dado Ruvic/Illustration/Reuters)

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que EUA e Irã chegaram a um entendimento sobre os termos de um acordo de paz. Segundo ele, a assinatura eletrônica do documento deve ocorrer dentro de 24 horas. Negociações de nível técnico estão previstas para a próxima semana.

A declaração de Sharif contrasta com sinais contraditórios vindos das partes diretamente envolvidas. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na quinta-feira (11/06) que o acordo talvez seja assinado no fim de semana, durante passagem pela Europa com a presença do vice-presidente JD Vance. Mas, na sexta-feira (12/06), Trump criticou detalhes do acordo divulgados pela imprensa, chamando-os de falsos.

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Versões em conflito

Segundo fontes do regime iraniano, um memorando prevê cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano. O mesmo documento estabeleceria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, com tráfego local voltando aos níveis anteriores ao conflito em 30 dias.

Já de acordo com fonte do governo norte-americano, o programa nuclear iraniano seria desmantelado conforme o acordo. A agência de notícias Mehr, ligada ao Estado iraniano, divulgou uma versão própria dos termos, diferente das anteriores.

A agência estatal Fars foi na direção oposta: publicou que “Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado” pelo Irã. O conteúdo oficial completo do memorando não foi divulgado por nenhuma das partes.

Ataques e recuos

O pano de fundo das negociações é de escalada militar. Na quarta-feira (10/06), os EUA realizaram novo ataque ao Irã. Teerã respondeu com mísseis direcionados ao Golfo Pérsico. Na quinta-feira (11/06), Trump anunciou uma terceira noite de bombardeios, e depois cancelou a ofensiva, afirmando que havia consenso sobre os pontos finais do acordo.

O Irã anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, passagem por onde circula parcela relevante do petróleo mundial. Um helicóptero militar dos EUA caiu durante sobrevoo na região. Os EUA bombardearam sistemas de defesa e radares iranianos em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein.

Sinais mistos dos dois lados

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, afirmou que o acordo entre os dois países nunca esteve tão perto. Trump repostou a mensagem de Araqchi em sua rede social, o Truth Social.

Poucas horas depois, porém, Trump publicou críticas aos dirigentes iranianos, descrevendo-os como “pessoas muito desonrosas para se negociar”. Em outra postagem, escreveu: “Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!”

Não está claro se o cessar-fogo mencionado no memorando continua em vigor após os novos ataques, nem qual versão dos termos, reflete a posição consensual entre as partes.

Leia mais: Trump anuncia morte de Niño Guerrero, chefe do Tren de Aragua, em ação dos EUA

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