O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou, nesta sexta-feira (19/06), que o país suspenderá a cobrança de taxas para navios que cruzarem o Estreito de Ormuz pelos próximos 60 dias. O prazo coincide com o período estipulado para a conclusão das negociações bilaterais com os Estados Unidos.
De acordo com o órgão governamental, a República Islâmica do Irã assumirá integralmente os custos operacionais da medida durante o intervalo, conforme informações veiculadas pela agência estatal de notícias Irna.
Para garantir a segurança das embarcações durante a travessia pelo canal marítimo, o Conselho informou que os detalhes operacionais e técnicos, incluindo rotas específicas e cronogramas de horários, serão divulgados nos próximos dias pela Autoridade das Vias Navegáveis do Golfo Pérsico.
O órgão ressaltou que a normalização e o aumento gradual do tráfego na região estarão diretamente atrelados ao cumprimento rigoroso dessas diretrizes por parte das empresas de navegação.
A decisão marca um recuo em relação ao posicionamento adotado por Teerã no início da semana, quando o país havia afirmado que aplicaria tarifas na região, contrariando declarações anteriores do presidente norte-americano, Donald Trump. A isenção temporária cumpre um dos pontos fundamentais do acordo de cessar-fogo assinado pelas potências na última quarta, que previa a livre circulação de navios sem ônus financeiro.
Contudo, apesar do avanço prático representado pela suspensão das taxas, o processo diplomático sofreu um revés imediato. As negociações diretas entre as delegações dos Estados Unidos e do Irã, previstas para ocorrer nesta sexta, na Suíça, foram canceladas. A confirmação partiu de um comunicado oficial emitido pelo Ministério das Relações Exteriores suíço.
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O cancelamento do encontro ocorre logo após a Casa Branca divulgar, na noite de quinta, que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, desistiu da viagem oficial que faria ao território suíço para se reunir com o corpo diplomático iraniano.
Paralelamente ao impasse político, o cenário financeiro do conflito ganhou novos contornos com a revelação, feita pela imprensa internacional, de que o Pentágono teria sinalizado a necessidade de um orçamento de US$ 80 bilhões para cobrir os custos operacionais acumulados na linha de frente contra o Irã.
Além das barreiras logísticas e financeiras, o panorama geopolítico regional impõe sérios entraves à consolidação do tratado. Autoridades e analistas apontam que a continuidade das operações militares e dos ataques promovidos por Israel no sul do Líbano configura atualmente um dos principais empecilhos para a plena aplicação e eficácia dos termos acordados no cessar-fogo.




