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Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

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Cessar-fogo entre EUA e Irã reduz tensão nos mercados, mas enfrenta resistência de Israel

Acordo assinado por Washington e Teerã traz alívio para a economia global, mas ações militares israelenses no Líbano levantam dúvidas sobre a estabilidade da trégua.

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(Foto: Christian Hartmann/Reuters)

A assinatura do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã tende a reduzir as incertezas nos mercados mundiais, especialmente nos preços do petróleo. Uma boa notícia para os setores financeiro e produtivo, que dependem de um mínimo de previsibilidade para funcionar.

Mas o acordo nasce sob uma fragilidade evidente. Enquanto Washington e Teerã assumiram por escrito o compromisso de interromper as hostilidades, Israel já sinalizou que continuará agindo contra o que considera ameaças à sua segurança. Esse ponto de separação era previsto havia algum tempo, quando começaram a ficar notórias tanto a volatilidade dos Estados Unidos quanto a constância de Israel.

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Voltemos alguns dias no tempo: na segunda-feira passada (15), o primeiro-ministro de Israel já se posicionava de maneira firme sobre a iminência da assinatura do acordo: afirmou que a luta do país não havia acabado, e que continuaria “neutralizando ameaças”.

De lá para cá, tanto as declarações seguintes dele e de seu governo como as ações militares permaneceram com o mesmo tom. Boa parte do território do Líbano continuou sendo objeto de ações militares israelenses.

Como se sabe, o fim imediato das operações militares e a “integridade do território e da soberania” do Líbano fazem parte dos 14 pontos do memorando do acordo entre Estados Unidos e Irã. O desrespeito a esse item específico pode ter consequências ruins para a paz. O Irã poderá se sentir desobrigado a cumprir sua parte no acordo com os Estados Unidos se julgar que civis continuam sendo mortos e expulsos de suas terras no Líbano.

Uma ameaça ao acordo pode fazer com que os Estados Unidos tomem atitudes mais firmes em relação ao governo Netanyahu? Se sim, quais seriam? Ambos os lados têm, além das mortes e da crise econômica, implicações eleitorais: Trump e seu gabinete estão de olho na cada vez maior desaprovação do povo americano à guerra, e sabem o custo desse mau humor para as eleições parlamentares de 3 de novembro. Netanyahu também lida com um problema semelhante: os cidadãos israelenses devem
ir para as urnas no fim de outubro, e há inclusive a possibilidade de que o processo seja antecipado.

Com o início das negociações técnicas entre as equipes de Estados Unidos e Irã, os próximos dias devem trazer mais clareza sobre os rumos do cessar-fogo. Por mais que tenhamos um pouco de esperança e otimismo, é sábio não descartar a possibilidade de que a guerra volte ao noticiário antes mesmo do fim do prazo de 60 dias estabelecido para a paz temporária.

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