Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Jaques Wagner e a batata quente no colo de Lula

A forma como o governo reagir à operação pode impactar os planos do PT para as eleições

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(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, com as investigações relacionadas ao Banco Master já era tema recorrente nos bastidores de Brasília nos últimos meses. O envolvimento do “PT da Bahia” já era amplamente falado, mas não personificado até então.

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Com a operação de ontem o caso ganha uma dimensão política bem maior.

A reação do governo e do PT evidencia, neste momento, duas estratégias distintas:

No PT, prevaleceu a defesa imediata de Wagner, principal liderança petista na Bahia ao lado do ex-ministro Rui Costa.

Já no Palácio do Planalto, a orientação tem sido de máxima cautela. Até o momento, Lula evitou qualquer manifestação pública sobre o caso, adotando uma postura de que é melhor esperar para se manifestar com assertividade (basicamente, sem ter que se explicar depois).

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, embora tenha construído sua trajetória política ao lado de Wagner na Bahia, integra o grupo que defende uma resposta centrada na independência das investigações.

A narrativa previamente alinhada no governo é a de que órgãos de controle e a Polícia Federal atuam sem interferência política, independentemente dos envolvidos.

Eis que temos aqui um primeiro ponto que mostra uma certa contradição e desencontro nos discursos.

Afinal, na entrevista que Jaques Wagner deu, ainda ontem, para o jornal da Band, ele diz que Lula o telefonou e haveria dito que a operação da Polícia Federal era uma “tentativa de desestabilizar”. Afirmou ainda que o que ele tem de Lula é “solidariedade pelo ocorrido”. Afinal, se a Polícia Federal atua de forma independente e sem interferência politica (como o próprio governo parece querer trazer em seu discurso), então dizer que isso seria uma “tentativa de desestabilizar” é, no mínimo, contraditório.

Inclusive a fala do Senador ressoou mal dentro de alguns núcleos do governo, que consideraram que o senador estaria sendo o presidente Lula como escudo.

Fato é que um eventual aprofundamento das suspeitas contra o senador Jaques Wagner fragilizaria o discurso do governo em torno do caso Master. Mas, ainda assim, o episódio, isoladamente, não representa uma “virada de jogo” da oposição.
Isso porque Flavio Bolsonaro foi diretamente ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro após o vazamento dos áudios. Em termos políticos, a comparação seria equivalente à existência de registros diretos de ligações entre Lula e Vorcaro.

Dito isso, a estratégia mais provável do governo, pelo menos por enquanto, será aquela da defesa das instituições e na narrativa de que eventuais irregularidades são investigadas e punidas, independentemente de filiação política.

Acaba sendo uma posição menos robusta do que ataques direcionados aos vínculos da oposição com o caso, mas que ainda preserva alguma eficácia junto ao eleitorado moderado.

Por outro lado, a capacidade histórica do PT de responder a acusações relacionadas à corrupção permanece baixa do ponto de vista da opinião pública. Esse fator segue acaba sendo uma janela de oportunidade pros adversários políticos explorarem o tema daqui em diante.

Na lógica de rounds semanais que Flávio e Lula têm disputado, a semana, que tendia a ser mais positiva para Lula, se encerra mais negativa para o presidente.

De tudo, além das investigações da polícia, dois temas políticos serão relevantes daqui em diante para serem monitorados:

1) A permanência (ou não) de Jaques Wagner na liderança do governo.

2) A chapa do PT na Bahia, estado que é a âncora da força eleitoral de Lula, 4o maior colégio eleitoral do Brasil e onde o atual presidente obteve mais de 72% dos votos válidos durante o segundo turno das eleições em 2022.

A batata quente está no colo do presidente Lula. Se seguir na linha de tirar o senador da liderança do governo no Senado pode acabar trazendo prejuízos eleitorais na Bahia. Mas mantê-lo enquanto não há nenhuma denúncia e tirá-lo apenas se houver denuncia oficial também seria danoso, uma vez que passaria uma imagem de total conivência para uma situação grave de possível corrupção – ou, no português claro: seria visto como uma “passada de pano” para seu aliado diante de uma denúncia gravíssima.

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