Arthur Igreja
Arthur Igreja Mais sobre o autor

Arthur Igreja é especialista em Tecnologia e Inovação. TEDx speaker e autor do livro “Conveniência é o Nome do Negócio”. Certificações executivas em Harvard e Cambridge. Atuação profissional em mais de 25 países. Anualmente, ministra mais de 150 palestras no Brasil, América do Sul, EUA e Europa. Ele é Masters em International Business pela Georgetown University (EUA), Masters of Business Administration pela ESADE (Espanha) e Mestrado Executivo em Gestão Empresarial pela FGV. Pós-MBA e MBA pela FGV.

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IA da Prefeitura do Rio era cópia e ilusionismo

Chineses alegam que modelo da Iplan, estatal carioca para informática, copia códigos abertos do país

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O teste avaliou qualidade, raciocínio, precisão, didática, velocidade, versatilidade e consistência. (Imagem: Freepik)
(Imagem: Freepik)

O Rio de Janeiro, através do Ipan, a estatal carioca para informática, desenvolveu supostamente um LLM, um modelo, como são usados em ferramentas como o ChatGPT, chamado de Rio Open 3.5. E esse modelo estaria já entre os melhores do mundo nos benchmarkings. 

Benchmarkings que não foram de outras fontes, foi o próprio governo falando isso. Então, causou todo um destaque, uma série de anúncios. O próprio prefeito carioca colocou lá na rede social X que isso seria um sinal de soberania, de evolução tecnológica, um feito que não estava mais só no mundo dos bilionários estrangeiros, que era o povo carioca demonstrando ali a sua capacidade tecnológica.

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Então esse modelo seria disponibilizado a todos. Teria custado alguma coisa como R$ 500 mil. Isso também seria um feito grandioso. O único problema é que na sequência os chineses apareceram desmentindo a história toda. O modelo, na verdade, seria uma espécie de Frankenstein. Ele combinaria dois modelos de código aberto chineses: 60% de um, 40% do outro.

E aí alguém esqueceu de dar crédito. Então, tinha lá uma correlação de mais de 99% entre esses modelos chineses e aquilo que estava sendo anunciado. Na prática, é cópia, sem dar o crédito. Isso gerou uma polêmica gigante. O anúncio tinha acontecido logo depois do Web Summit Rio, um evento global de importância bastante grande no mundo da inovação e da tecnologia.

A emitida pela prefeitura diz que foi um mal-entendido. A divulgação foi feita de forma precoce. Era uma versão intermediária, não estava ainda pronta, mas na verdade essa nota só veio depois do desmentido chinês. 

É claro que o Brasil precisa entrar na corrida da IA, precisa participar disso tudo, mas obviamente não dessa maneira.

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O que acontece é que os R$ 500 mil que foram usados aí para fazer o desenvolvimento entre os experts. Estima-se que custaria menos de R$ 25 mil. Na verdade, para fazer uma combinação e aquilo que se chama de “fine tuning”, que é simplesmente calibrar modelos, não desenvolver desde o começo. Traduzindo: modelo nenhum foi treinado, modelo nenhum foi desenvolvido. Até porque isso, sabe-se, as bigtechs gastam bilhões para fazer isso.

Estava todo mundo estranhando qual teria sido esse milagre tecnológico, essa mágica. E, depois do levantamento feito pelos chineses e pela nota que foi emitida na sequência, nós ficamos sabendo que, na verdade, não era mágica, era ilusionismo. É um episódio folclórico, bizarro, que certamente não é esse o caminho pro Brasil se inserir na agenda global de tecnologia.

Faltou dar crédito, faltou transparência e espero que esse episódio sirva como aprendizado.

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