O setor elétrico brasileiro está em alerta. Um El Niño em desenvolvimento pode se tornar um dos mais intensos já registrados, segundo a consultoria meteorológica Nottus. O fenômeno deve se intensificar a partir de setembro de 2026 e durar até fevereiro de 2027.
Para 2026, o suprimento de energia está garantido, conforme afirmou Marisete Dadald, presidente da Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica). O risco maior, segundo ela, é para 2027. “Isso, consequentemente, pode trazer maiores custos \[para o setor\], com a necessidade de maior despacho de usinas termelétricas”, disse Dadald.
O El Niño tende a ser benéfico em um primeiro momento. Segundo Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus e meteorologista, o fenômeno deve manter afluências elevadas na região Centro-Sul e levar chuvas intensas para o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Mas o mesmo fenômeno deve provocar ondas de calor e elevar as temperaturas no país, aumentando a demanda por energia. Nascimento alertou que isso pode exigir maior despacho de usinas termelétricas, o que eleva os custos para o setor.
Dadald também destacou que a integridade das barragens é um ponto de atenção permanente. “Para a associação não é novidade, mas obviamente que a gente vai estar atento a tudo isso de modo que a gente possa garantir que não tenha nenhuma situação que possa colocar em risco essas instalações”, afirmou.
O período chuvoso está previsto para começar em meados de outubro de 2026, conforme Dadald. Até lá, o setor acompanha de perto a evolução do fenômeno.
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Reunião marcada para segunda-feira
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) convocaram uma reunião com empresas do setor elétrico para a próxima segunda-feira (22). O encontro vai discutir medidas para lidar com os possíveis impactos do El Niño.
A projeção do setor é que a queda nos volumes dos reservatórios seja adiada em 2026. Mas o cenário para 2027 ainda é incerto.
As distribuidoras de energia têm ampliado os aportes em robustez das redes. Segundo a Abradee (Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica), os investimentos anuais saltaram de R$ 18 bilhões em 2021 para R$ 41 bilhões em 2025. A expectativa é que os aportes cheguem a R$ 260 bilhões até 2030.
O esforço tem razão de ser. “Em 2024, ano em que tivemos um dos períodos mais quentes da história, foram registradas mais de 65 mil ocorrências emergenciais de incêndios que atingiram a rede de distribuição de energia elétrica no Brasil, gerando desligamentos e causando transtornos”, aponta a Abradee.
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A entidade reconhece que o desafio climático que se aproxima é duplo. “Temos visto que não existe solução única sobre o caso, por isso cada fenômeno precisa ser compreendido separadamente”, afirma a Abradee. “É possível que o segmento esteja atravessando os desafios de lidar com esses dois problemas simultaneamente.”
Na prática, mais investimento nas redes significa menos risco de apagões para quem paga a conta de luz em casa. “Estamos próximos de finalizar um [projeto de] PDI [Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação], que trará a visão mais detalhada do segmento sobre eventos climáticos extremos e ações que poderão ajudar na construção de políticas públicas que mitiguem os efeitos desses fenômenos”, conclui a associação.




