Nova rodada de negociações por paz no conflito Líbano-Israel devem acontecer nesta terça em Washington

Cinco meses após o início do conflito, delegações se reúnem pela quinta vez; Líbano quer retirada israelense e Israel insiste no desarmamento do Hezbollah

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(Foto: REUTERS/Stringer)

Líbano e Israel se sentam novamente à mesa de negociações nesta terça-feira (23) em Washington. É a quinta rodada de conversas diretas desde meados de abril, e a primeira após um entendimento entre Irã e Estados Unidos sobre a interrupção dos combates em múltiplas frentes, segundo a agência Reuters.

O conflito começou em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã. A resposta israelense combinou ataques aéreos e terrestres. Desde então, mais de 4.000 pessoas morreram no Líbano, conforme dados de autoridades libanesas.

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As quatro rodadas anteriores não chegaram a um cessar-fogo duradouro. O impasse central permanece o mesmo: o Líbano deve exigir um cronograma claro para a saída das tropas israelenses do sul do país, segundo uma autoridade libanesa ouvida pela Reuters. Israel, por sua vez, afirma que suas forças permanecerão na região por tempo indeterminado, de acordo com autoridades israelenses de alto escalão.

David Mencer, porta-voz do governo israelense, definiu os objetivos de Tel Aviv nas negociações como o “desarmamento do Hezbollah e a conquista de um acordo de paz genuíno” com o Líbano. Mencer acrescentou que o único impedimento para um acordo é o Hezbollah, “razão pela qual acreditamos que eles devem ser desarmados e desmantelados”.

O Hezbollah, por sua vez, não aceitou o desarmamento total e pediu ao governo libanês que se retire das negociações diretas. Desde 2025, o governo do presidente Joseph Aoun age com cautela para avançar no desarmamento do grupo sem provocar um confronto direto, conforme a Reuters.

Acordo Irã-EUA muda o cenário

Na semana anterior à rodada desta terça, Irã e EUA fecharam um memorando de entendimento sobre a interrupção dos combates em todas as frentes. O documento antecede as conversas em Washington e altera o contexto diplomático.

Mas uma autoridade libanesa e dois diplomatas estrangeiros avaliaram à Reuters que o acordo entre Teerã e Washington, na prática, enfraqueceu o Estado libanês nas negociações. A lógica é que o entendimento direto entre as duas potências reduz a margem de manobra de Beirute.

Uma autoridade libanesa resumiu o estado das conversas: “Continua existindo um problema fundamental de confiança entre nós e os israelenses nessas conversas. Não podemos atender às exigências deles, e eles rejeitam todas as nossas”

As negociações diretas foram propostas por Aoun em março e tiveram início em meados de abril, após os EUA anunciarem uma nova iniciativa de cessar-fogo no início de junho.

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